“Deixa-me, fonte”- Dizia
a flor, tonta de terror.
e a fonte, sonora e fria,
cantava levando a flor.
“Deixa-me, deixa-me fonte!”
Dizia a flor a chorar:
“Eu fui nascida no monte...
Não me leves para o mar”
E a fonte, rápida e fria
com um sorriso zombador,
por sobre a areia corria,
corria, levando a flor.
“Ai, balanços do meu galho,
balanços do galho meu:
ai, claras gotas de orvalho
caídas do azul do céu!...”
Chorava a flor e gemia,
branca, branca de terror,
e a fonte, sonora e fria,
Rolava levando a flor.
“Adeus, sombra das ramadas,
cantigas do rouxinol;
ai festas das madrugadas
doçuras do pôr-do-sol;
carícia das brisas leves
que abrem rasgões de luar...
fonte, fonte, não me leves
não me leves para o mar!...”
Vicente de Carvalho
Poeta santista ( 1866-1924), escritor e jornalista
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