Pronto-socorro: novo prédio, velhos problemas


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Pacientes na recepção do novo pronto-socorro, na Vila Imperador: usuários se queixam da qualidade do serviço prestado
Pacientes na recepção do novo pronto-socorro, na Vila Imperador: usuários se queixam da qualidade do serviço prestado

Inaugurado há uma semana, o Pronto-socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz” já é alvo de reclamações por parte dos usuários. Demora no atendimento, falta de profissionais da saúde, descaso com pacientes mais graves e até sujeira na sala de espera estão entre as queixas da população que recorre à unidade em busca de tratamento. Até denúncias de que um médico estaria trabalhando com a filha pequena no colo chegaram à reportagem do Comércio, que teve acesso a um vídeo amador feito por uma usuária na última segunda-feira, 22.

Na segunda-feira, pacientes que precisavam de exames de raio X tiveram que recorrer ao Pronto-Socorro Infantil, no prédio do antigo “Janjão”. A aposentada Maria Imaculada Conceição Campos, que acompanhava o marido com pneumonia no novo pronto-socorro, presenciou a situação. “Meu marido está com pneumonia, mas não precisou fazer raio X. Só que avisaram a gente que o equipamento tinha quebrado, e quem precisasse teria que fazer no ‘Janjão’.” Naquele dia, o marido de Maria chegou à unidade de saúde às 13h30 e só foi atendido às 18h30. “Ouvi a secretária de Saúde (Rosane Moscardini) dizer na rádio (Difusora AM) que ontem (segunda-feira) tinham dez médicos lá. Tinha um médico só. Às 17h30, chegou outro. Quando meu marido foi ser atendido, o médico até riu. Não sei se riu dele ou do caos que está lá”, disse.

Além da demora no atendimento, a dona de casa Isabel Regina Lemes Vieira, 40, ficou indignada com a “falta de atenção” com os pacientes na recepção do pronto-socorro. No último domingo, 22, enquanto acompanhava a mãe, Isabel viu uma mulher desmaiar no local. “Teve uma moça que caiu no chão e desmaiou. Não tinha ninguém para catar (sic) a moça. Não tem maca, não tem nada. Um rapaz (paciente) que ajudou e pegou. Ela ficou umas três horas sentada na cadeira de rodas. Eles não esquentam a cabeça e não deixam quem está pior passar na frente”, afirmou.

Isabel também observou que a limpeza na recepção não é constante. “Não colocaram uma lixeira naquele salão. O pessoal já não colabora, então fica uma sujeira. É lata de refrigerante no chão, saquinho de salgado, um horror.”

E não é só quem precisa de uma consulta que passa horas na fila de espera. A pespontadeira Vilma Regina de Paula Mendes, 49, contou que o genro desistiu de ir ao novo pronto-socorro ser medicado devido à demora no atendimento. “Tomar medicamentos demora tanto quanto consultar. Meu genro precisava tomar injeções, pois estava com início de pneumonia, e ficou mais de duas horas esperando. Ele parou de ir (ao pronto-socorro).”

Vilma ainda se lembra do dia em que acompanhou o genro na consulta, na última sexta-feira. “O tumulto era grande, não se achava nem um copo para tomar água. (O pronto-socorro) ficou bonito, mas precisa de gente para trabalhar. Está pior que o antigo”, desabafou.

DENÚNCIA
Na segunda-feira, 22, uma usuária que preferiu não se identificar gravou cenas com o telefone celular que mostram uma criança brincando dentro de um dos consultórios do novo pronto-socorro. Segundo ela, as imagens seriam da filha do médico que atendia os pacientes naquele dia. “Ele (médico) estava com uma criança dentro da sala. Eu gravei. Ela estava brincando com aquele negócio de escutar o coração (estetoscópio). Ficou pendurada no pescoço dele.” De acordo com a mulher, a Polícia Militar e o Conselho Tutelar foram acionados pelos pacientes que estavam no local. “A polícia disse que não podia fazer nada, nem entrou lá. A conselheira (tutelar) deu muita atenção para a gente, mas na hora que ela chegou, o médico já havia ido embora.”

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