Nem toda ponte une


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As frentes não são apenas quatro. Há vários pontos intermediários nesta costura de marketing eleitoral. Variadas obras marcam a cidade. Só que o quadrado mágico foi escolhido como sendo a vitrine.

Cada vértice atinge um panorama diferente. Da entrada da cidade à saída, passando pelo centro, a isca está posta. Quando a eleição chegar, falta só o eleitor morder, em forma de voto.

O terreno vem sendo preparado e semeado há algum tempo. O primeiro fruto está à espera do amadurecimento no final da Vila Imperador. Recapeadas e largas avenidas dão passagem para a população chegar com facilidade ao novo pronto-socorro. Quanto à lambança da denominação, o jornalista Luiz Neto explicou tudo em sua coluna de sábado.

De atendimento médico emergencial, supostamente resolvido, restam ainda as áreas de educação, de trânsito e de cultura.

A administração municipal cuida de espalhar as noticias desse vistoso campo. Isso rende valiosos votos para o candidato da situação. Aliás, ainda dá tempo de se pensar na segurança da assustada população francana. A reforma do ‘esqueleto’ está intimamente ligada à educação. Desde que se pautou pela aquisição do prédio inacabado, localizado nas imediações do Poliesportivo, ficou evidente que ali seria a futura sede da Secretaria Municipal de Educação. Pelo menos, quem chegar a Franca pela primeira vez vai deixar de ter aquela horrenda visão de ruína.

Outro anúncio recente de obra foi reservado para a Casa da Cultura. Os imóveis foram encampados pela municipalidade faz tempo. Agora a reforma vai sair. A Praça Carlos Pacheco, aquela do Cemitério da Saudade, ganhará novos ares. E, de quebra, uma movimentação mais arejada. Fica melhor a frequência cultural. Isso contrabalança o fluxo fúnebre da área. Está vendo o porquê de candidato levantar a mão espalmada para fazer promessa eleitoral. Cada dedo fechado simboliza uma solução. Abaixa-se primeiro o dedão: saúde não vai mais ser problema. O erro começa nisso. O ideal seria iniciar pela educação. O resto seria conseqüência, sem necessidade de enumerar as cinco soluções. Povo educado se torna saudável, vive em segurança e respeita o trânsito. Cultura!

Com a inauguração do imóvel do pronto-socorro, o anúncio da conclusão do ‘esqueleto’ e da restauração da casa da cultura, pena que a construção do viaduto da Major Nicácio não termine até outubro. Depois de pronto, talvez agrave ainda mais a nevrálgica segurança da população. De solução para o trânsito, o local pode virar um novo pesadelo habitacional.

Nem toda ponte une, como quer o poeta e letrista Paulo César Pinheiro na música Pesadelo. A experiência tem mostrado que os desvãos de qualquer viaduto podem servir também de abrigo para moradores de rua. No futuro, tirar os sem-teto de lá será uma estratégia de segurança. Ou seria de saúde? Aí estará o mote para uma boa campanha eleitoral!

Antônio Araújo
Articulista e professor

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