Não há dúvidas que o Brasil avançou muito nos últimos tempos. Melhoramos os serviços de saúde, colocamos todas as crianças na escola, aumentamos a rede de água e esgoto e conseguimos inserir as classes de baixa renda na esfera do consumo. Mais recentemente, começamos a propiciar aos mais pobres o acesso à casa própria, um sonho que permeia a alma da imensa maioria das pessoas no mundo.
Com mais oferta de crédito no mercado, o incentivo governamental do programa Minha Casa, Minha Vida e o aumento da renda de parcelas consideráveis da população muitos brasileiros resolveram arriscar-se na compra desses financiamentos que os levariam ao sonho da casa própria, um sonho que simboliza um grande sentimento de conquista e uma excelente sensação de segurança.
Esse contexto, certamente, acaba contribuindo para o desenvolvimento de todo o país, pois incrementa o setor imobiliário, a construção civil, o comércio de materiais de construção e todos os demais negócios que tangenciam esse setor da economia, sem contar com os impostos e empregos que são gerados em todo esse processo.
Há, porém, que se pensar no futuro. Há também que olhar pelo retrovisor da história e relembrar o processo que detonou a crise mundial de 2008, que apesar de não apresentar ingredientes iguais, apresenta inegavelmente algumas semelhanças. Essa conta, agora muito fácil de fazer, terá que ser paga no futuro, um futuro que se estende por cerca de 20 ou 30 anos, um prazo que na dinâmica da vida contemporânea é bastante factível de muitas reviravoltas, crises e outros acontecimentos.
Nesse sentido, é bom lembrar que em paralelo ao incentivo monetário dado pelo governo, ao crédito mais acessível e ao aumento de renda é possível observar também um aumento considerável nos preços dos imóveis, o que para alguns analistas parece um pouco demasiado.
Segundo o site Global Property Guide, que auxilia investidores na busca de imóveis ao redor do mundo, o Brasil foi o segundo país do mundo em termos de valorização de imóveis em 2011. Com um aumento real de 19,79% nos preços das casas e apartamentos, o país ficou atrás apenas da Índia, considerando-se um ranking que incluiu outros 35 países. De acordo com o site, esses dois países seguem na contramão do que está acontecendo ao redor do mundo, que vem experimentando uma desvalorização em seus imóveis residenciais, resultado do fraco crescimento econômico mundial.
Nossos analistas divergem em relação à análise desses números. Para alguns, ainda estaríamos longe do que seria uma bolha. Para outros, apesar de ainda longe, estaríamos caminhando para ela. A despeito de todas essas análises, é bom lembrar das sábias palavras do mestre Peter Drucker: as árvores não crescem indefinidamente até o céu. Ou seja, é bom tomar cuidado com esse crescimento do mercado imobiliário.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.