Substituir um grande jogador é sempre uma preocupação extra para qualquer jovem promessa do esporte. Quando o ídolo é seu próprio pai, a responsabilidade é ainda maior. Os jovens Cauê Borges e Leo Meindl, do Franca Basquete Clube, sabem muito bem o que é isso. Desde pequenos, ambos viram seus pais jogarem e vencerem na equipe de Franca.
O pai de Cauê é nada menos que o maior cestinha do clube com 15.463 pontos. Marco Aurélio Pegolo dos Santos, ou simplesmente “Chuí”, foi um recordista também de jogos pelo clube, com mais de mil partidas disputadas. Agora o jovem Cauê, 22, busca se firmar na equipe profissional. Sua missão: desmentir aqueles que, no começo da carreira, questionaram seu talento.
“Quando eu era mais novo, algumas pessoas diziam que eu só estava jogando por causa do meu pai. Hoje em dia, não. Depois que você é profissional, essas coisas ficam para trás. Ninguém vai dar dinheiro para alguém só porque é filho de uma pessoa importante na história do clube”, disse o ala-armador.
Com Leo Meindl, não foi diferente. Ele é filho do ex-pivô e atual membro da comissão técnica do Vivo/Franca, Paulo César Reis Weindl Von Berger, ou simplesmente “Paulão”. Leo diz não se importar com as comparações. “Sempre tem gente que fala essas coisas, mas eu não me importo com isso não. Procuro, sempre que possível, ignorar e responder (aqueles que não acreditam em mim) dentro de quadra”, comentou o atleta de 19 anos.
A cobrança das arquibancadas é outro estágio que tanto Cauê como Léo querem superar ao longo dos anos. Para esta temporada, o elenco francano foi totalmente reformulado e a aposta está na formação de uma nova geração. Ambos afirmam não terem medo de duras críticas, caso os resultados não venham em quadra. “A torcida francana dá muito apoio aos jovens talentos. Assim que eu entrei em quadra, pude sentir essa resposta positiva. Além do mais, Franca vive basquete de um jeito que nenhuma outra cidade do Brasil vive. Aqui as pessoas sabem o que está acontecendo com o time e participam dessas mudanças”, disse Cauê.
Apesar de gostarem da cidade e saberem que há um longo caminho que precisa ser percorrido, ambos sonham com uma oportunidade de jogar na liga profissional de basquete dos Estados Unidos ou na Europa. “Isso é um sonho de qualquer jogador. Jogar na NBA (National Basketball Association) é estar entre os melhores do mundo no esporte”, explicou Cauê.
“Qualquer jogador que quer chegar em um nível de excelência precisa passar pela NBA ou Euroleague (Liga Européia de Basquetebol). Mas o nosso foco é no presente. Nós sabemos que se não fizermos uma boa temporada este ano, não vamos conseguir ir para frente e ter outras oportunidades”, finalizou Leo.
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