Em média, três pessoas foram internadas por mês em Franca no ano passado por envenenamento, intoxicação ou exposição a substâncias tóxicas em decorrência de acidentes domésticos e de trabalho, de acordo com um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, divulgado neste mês. O estudo aponta 951 internações no Estado, sendo 36 em Franca.
A capital e região metropolitana lideram o ranking estadual com 427 casos. No interior, a liderança é de São José do Rio Preto, com 75 internações. A maioria são crianças de 1 a 4 anos. O ranking registra também as mortes no Estado: 29. Em Franca, segundo a Secretaria Municipal, houve duas mortes em 2011 por intoxicação ou envenenamento: uma pessoa de 53 anos, intoxicada por agrotóxicos, e outra de 30, por causa de medicamentos. Os nomes não foram divulgados.
Segundo o cirurgião plástico e médico do Grupo de Resgate e Atendimento a Urgências (Grau) da secretaria estadual, Roberto Stefanelli, o grande número de casos envolvendo crianças se deve ao fato de elas acabarem ingerindo medicamentos que, muitas vezes, estão guardados em locais inapropriados, como a pia do banheiro ou em mesas da cabeceira do quarto. As crianças também podem se intoxicar ao ingerir o conteúdo de embalagens de bebidas e alimentos que são reaproveitadas para armazenar produtos químicos ou de limpeza.
SUSPEITAS
Nem todos os casos de intoxicação resultam em internação. Segundo a secretária municipal da Saúde, Rosane Moscardini Alonso, foram registradas em Franca, no ano passado, 92 suspeitas de intoxicação por substâncias químicas (como agrotóxicos, medicamentos e cosméticos), o equivalente a pouco mais de sete por mês. Neste ano, até junho foram apenas 24.
“Todos os casos de suspeita por substâncias químicas devem ser obrigatoriamente notificados. A Vigilância Epidemiológica faz a investigação dos casos e a notificação dos mesmos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, o Sinan”, diz a secretária.
Uma das vítimas de intoxicação foi uma dona de casa que pediu anonimato. “Por causa de um capricho, quis emagrecer e tomei por cinco anos um remédio. Durante alguns anos, ele funcionou normalmente e eu emagreci. Só que, depois de um tempo, o medicamento parou de funcionar e eu passei a engordar”, conta. Depois de vários exames, ela descobriu que estava com hepatite medicamentosa, uma condição que deixou seu fígado inchado e altamente intoxicado devido a um entupimento dos dutos.
“Eu era magra, mas achava que era gorda. Nessa brincadeira de achar que um medicamento não vai ter efeito colateral acabei viciada nesse tipo de remédio. Hoje eu não sou magra e, por uma bobeira, tenho que tomar medicamentos talvez pela vida toda para me manter saudável.”
A dona de casa integra o grupo etário com mais vítimas de intoxicação em Franca. No levantamento municipal de 2011, as faixas etárias de 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos são as que registraram mais suspeitas de intoxicação, com 21 casos e 24, respectivamente. As crianças foram responsáveis por apenas sete ocorrências. Em praticamente todos os casos, o principal motivo das suspeitas de envenenamento foi o uso de medicamentos. A exceção foi uma idosa que teve suspeita de intoxicação por raticida.
COMO AGIR
Em caso de suspeita de intoxicação, o médico Stefanelli recomenda primeiramente ligar para o resgate e manter a pessoa deitada de lado, além de não oferecer nada para ela beber nem forçar vômito, já que o líquido nocivo pode acarretar ainda mais prejuízos ao fazer o caminho de volta no aparelho digestivo da vítima.
Ele sugere ainda que remédios sejam mantidos bem identificados e fora do alcance de crianças.
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