Arquivo Municipal da cidade recebe quase dois mil livros raros


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DESCOBRIMENTO - Graziela Alves Correa, diretora do Arquivo Histórico, abre caixa que contém livros raros doados ao órgão pelo clube Castelinho
DESCOBRIMENTO - Graziela Alves Correa, diretora do Arquivo Histórico, abre caixa que contém livros raros doados ao órgão pelo clube Castelinho

Luvas, máscaras, estiletes e muita, muita paciência. Este é o arsenal utilizado pelos funcionários e estagiários do Arquivo Municipal de Franca para vencer uma batalha iniciada neste mês que deve render muitos frutos parara a população, especialmente historiadores e pesquisadores. A vitória só será comemorada após ser finalizado o processo de limpeza, restauro e disponibilização à comunidade de quase 2 mil livros antigos que estavam guardados em caixotes há dois anos.

Durante décadas, as obras fizeram parte de uma biblioteca disponibilizada aos sócios do Clube Castelinho, no antigo prédio conhecido como AEC (Associação dos Empregados do Comércio)-Centro, em Franca, hoje vendido à iniciativa privada.

Graziela Alves Correa, diretoria do Arquivo, descreve tudo como raridade. “São livros de diversas áreas do conhecimento humano e de qualidade muito boa. Alguns são exemplares únicos. Outros foram escritos por pessoas como Estevam Leão Bourroul, fundador da primeira biblioteca pública da cidade.”

A diretora diz ainda que há muitos livros sobre fatos históricos. Um deles, de 1839, revela os acontecimentos que envolveram o País no período entre o descobrimento e a abdicação de D. Pedro I. “Lê-lo é beber água na fonte mais limpa.”

Outro livro que ela destaca entre os exemplares já descobertos é assinado por José Palmella e fala dos costumes da mulher na Antiguidade. “Também existem fotos e gravuras maravilhosas. São peças fundamentais para qualquer historiador ou pessoa interessada em entender como nossa atual realidade foi construída”, afirmou Graziela.

A origem dos livros não é certa, mas há alguns indícios. Segundo Graziela, provavelmente parte do acervo integrou uma biblioteca fundada em 1910 em Franca: a do Grêmio Literário Francano. A instituição foi erigida por francanos ligados à manutenção da cultura na cidade. Segundo a diretora, vários livros possuem carimbos que os ligam ao Grêmio, então mantido pela AEC.

Camila Abelha Carnaúba, gestora de marketing do Clube Castelinho, fundado em 1909, diz não conhecer registros da origem da biblioteca oferecida aos sócios. Ela explica que o prédio central surgiu em fevereiro de 1933 e que existiu realmente uma sala que abrigou uma biblioteca. Posteriormente, o espaço foi desativado e os livros teriam sido mantidos em sala fechada no próprio prédio. Só em 2010, eles ganharam novo destino. Com a venda da AEC-Centro, todos foram encaixotados e levados para o almoxarifado da então sede campestre do Castelinho. De lá só saíram no mês passado para o Arquivo Municipal.

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