Vovó moderna tem página no Facebook


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HIGH TECH - Ao lado de fotos dos filhos e netos, Rita de Cássia Ribeiro, formada em informática básica, se diverte no computador
HIGH TECH - Ao lado de fotos dos filhos e netos, Rita de Cássia Ribeiro, formada em informática básica, se diverte no computador

Foi-se o tempo em que a vovó ficava em casa, com seus cabelinhos ralos e brancos, fazendo tricô e fritando bolinhos de chuva para os netos. Elas continuam meigas e um poço de carinho com a família, mas não se contentam em esperar no sofá o tempo passar. Mais tecnológicas do que nunca, elas entram na internet, têm perfil em redes sociais, mandam e recebem e-mail, pagam contas pela rede mundial de computadores e viajam em grupos e excursões planejadas especialmente para elas. Às vésperas do Dia da Vovó, que será comemorado na quinta-feira, dia 26 de julho, o Comércio da Franca conta histórias de três vovós pouco tradicionais. Cheias de vida e de experiências, elas querem é se divertir.

Sem nem um fio de cabelo branco sobre a cabeça, a dona de casa Rita de Cássia Ribeiro, de 62 anos, é tão cuidadosa com sua aparência quanto com seu futuro. Com dois filhos e três netos, ela está feliz da vida com o diploma que acaba de conquistar em informática básica. “Estou toda metida”, conta, aos risos. Incentivada por uma das netas, a Raquel, de 10 anos, Rita se matriculou no curso gratuito oferecido na Biblioteca Pública Professor Olegário Ferreira, no bairro da Estação.

Rita, que deixou a escola aos 16 anos para se casar, ficou viúva sete anos depois, com os dois filhos pequenos. Só voltou a estudar quando os filhos estavam na faculdade. Fez, então, o ensino médio e resolveu que não pararia mais. Agora, ela se prepara para mais um desafio: o curso de informática avançada.

Há dois anos, Rita conquistou um novo amor. No baile que frequenta aos domingos, o Bailão do Biônico, conheceu Álvaro Bahia, dez anos mais jovem que ela. Hoje eles vivem juntos.

As receitas que ela aprende na internet testa em casa, com o companheiro e também os três netos, quando eles a visitam. Além das receitas, ela pesquisa lugares. Rita adora viajar e já conheceu Camboriú, Santos, Curitiba, Rio de Janeiro e Cabo Frio.

Outra vovó que adora viajar é a professora aposentada Ana Rita Santos Provençal, de 68 anos, que tem dois filhos e quatro netos. Ela e o marido viajam, pelo menos, quatro vezes por ano. “Meus netos sabem que eu os amo, mas o perfil de vovó caseira e prendada não combina comigo. Não me peça para pregar um botão que eu não sei, mas se me convidarem para ir ao cinema, sou companhia garantida”, diz, aos risos. Para ela, são os netos e filhos quem têm a obrigação de paparicá-la, não o contrário. Ana Rita adora os almoços de família, aos domingos, mas conta que não é ela quem vai para a cozinha. “Sou uma negação, mal sei fritar um ovo”, afirma.

Entre os lugares que ela e o marido conheceram estão cidades do Nordeste, como Salvador e Natal, e países da América do Sul e da Europa. O destino preferido do casal é Buenos Aires. Para aproveitar os passeios que fazem, Ana Rita e o marido se matricularam há duas semanas em um curso de espanhol.

Com 71 anos, Alda Maria Faria Santos também foge da figura da vovó frágil, com cara e jeito de velhinha. Ela malha cinco vezes por semana, uma hora por dia, dirige há 46 anos e vive servindo como motorista da família. O carro dela, um Celta verde, foi apelidado carinhosamente pelos netos de “Azeitona Táxi”. Achou pouco? A vovó cursa História da Arte na Unat (Universidade Aberta da Terceira Idade), navega pela internet e, apesar de não ser muito adepta das redes sociais, tem perfil no Facebook, conta no MSN e está em dúvida se compra um tablet ou um notebook.

Apesar da modernidade, Alda também faz coisas das vovós de antigamente: adora assar bolo com cobertura de leite condensado para esperar os netos em casa. “A gente pode ficar menos em casa, fazer coisas que nossas avós não faziam e até se cuidar mais, mas o amor de vó, esse não vai mudar nunca”, afirma.

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