Declaração é deficiente, diz autor


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O sociólogo Julio Jacobo Waiselfiz, autor do Mapa da Violência 2012 - Crianças e Adolescentes, acredita que os sistemas de dados precisam ser inseridos em uma cultura de universalização. Os dados de atendimentos por violência no SUS, implantados em 2009, ainda passam por esse processo. “A tendência é criar uma cultura de universalização desses dados. Muitos médicos deixam de preencher as declarações para não tomar seu tempo. Ainda não temos uma cultura de declaração. E isso acontece com todos os sistemas, essa demora sempre acontece.”

Jacobo também diz que existe um estigma relacionado à violência física e sexual. “Quando você vê uma criança em um posto de saúde para atendimento de violência, ela sai do âmbito privado e o caso passa a ser público. Muitas pessoas não procuram o atendimento pela vergonha e pelo medo de ser processado. Imagine uma criança que a família estuprou. É uma vergonha para a criança, para a família, para a sociedade. Então, a atitude tomada é a de ocultar o problema.”

O estudo, segundo Jacobo, deve ser visto como um alerta para a sociedade. “O que é melhor? Ocultar uma epidemia ou tomar medidas para cercá-la e exterminá-la? Se não enfrentarmos o problema, ocorre a tendência natural de qualquer epidemia, que é se alastrar.”
 

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