‘O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica’ (2 Co 3:6)
Praticar a verdade a fim de torná-la nossa realidade
Na igreja em Jerusalém havia um problema: os judeus, os fariseus e os sacerdotes que haviam crido continuaram a guardar a lei de Moisés, a circuncisão e outras práticas do Antigo Testamento (At 15:1,5), jugo esse que nem mesmo os judeus conseguiam suportar. Eles já deveriam estar libertos da lei a fim de não mais viver debaixo de sua escravidão, deveriam estar em Cristo e viver de acordo com a direção do Espírito. O Senhor já se tornou Espírito que dá vida (1 Co 15:45) e hoje, como a consumação do Deus Triúno processado, habita de maneira real e prática em nosso espírito. Esse Espírito age em nós como a unção em nosso interior e nos ensina todas as coisas (1 Jo 2:20,27).
Nós, que somos salvos e fomos colocados por Deus na igreja, seguimos a direção da unção em nosso interior. Assim como é preciso lubrificar uma engrenagem para que não haja atrito e barulho entre as peças, a unção em nós é o ‘lubrificante’. Numa situação normal, nós sempre invocamos o nome do Senhor, e isso é desfrutar a unção, é ser ‘lubrificado’ pelo Espírito. Quando somos sensíveis ao falar do Espírito Santo em nosso espírito, não precisamos que alguém nos ensine; a unção nos ensina.
Já fomos resgatados da maldição da lei (Gl 3:13) e vivemos hoje na liberdade do Espírito. Os judeus que se converteram trouxeram consigo as práticas do Antigo Testamento e introduziram na igreja as coisas do judaísmo. O segundo período de dois mil anos, de Moisés a Cristo, foi a dispensação da lei, e os que guardavam a lei eram justificados diante de Deus. Porém, nos terceiros dois mil anos, a dispensação mudou: o próprio Deus encarnou-se e veio a ser homem, morreu e ressuscitou, tornando-se assim o Espírito (Jo 1:1,14; 1 Co 15:45). Na tarde do dia em que ressuscitou, o Senhor apareceu aos discípulos, soprou neles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo’ (Jo 20:22). Esse Espírito entrou neles, no aspecto essencial, regenerando-os e tornando-os um novo homem.
Na igreja em Jerusalém havia um grupo de pessoas que ainda estava na velha dispensação e ainda buscava guardar a lei. Essa situação não era normal, pois a nova dispensação é no Espírito; não há como misturar o Espírito com a lei. Talvez hoje alguns digam que não há perigo de acontecer isso conosco. Todavia se permitimos que as muitas doutrinas que substituem Cristo substituam o nosso viver no Espírito, isso é a mesma coisa que guardar a lei.
Em nosso meio, damos muita ênfase às verdades. Se conseguimos praticá-las, elas se tornam realidade, e isso é muito bom. Contudo, se não as praticamos e simplesmente as tomamos como doutrinas, isso nada tem a ver com a vida, e o resultado é morte. O Senhor disse aos fariseus que eles examinavam as Escrituras porque julgavam ter nelas a vida eterna, mas não queriam ir a Ele para ter vida (Jo 5:39-40). Há muitas verdades na Bíblia e elas contêm vida, porém, se as estudarmos apenas com a mente e não com o espírito, acontecerá o que Paulo disse em 2 Coríntios 3:6a: ‘A letra mata’. Não nos interessa apenas examinar as Escrituras; o que importa em nossa prática é exercitar o espírito, onde habita o Espírito, a consumação do Deus Triúno.
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