O imóvel que abrigará a nova sede do Sindicato dos Servidores Municipais de Franca, na rua Prudente de Morais, no bairro Cidade Nova, pode nem ser inaugurado. O motivo é o parecer favorável que a Justiça concedeu à administradora de cartões de crédito Valecon, que move uma ação contra a entidade desde janeiro de 2011 em decorrência de uma dívida de R$ 276 mil. No despacho proferido no último dia 25 de junho, a Justiça autorizou o leilão do imóvel, que já havia sido penhorado em novembro de 2011. Faltam agora a elaboração e publicação do edital que informará a data e os procedimentos do leilão.
O prédio penhorado foi avaliado em R$ 686 mil. De acordo com o advogado da Valecon, Denílson Carvalho, o perito nomeado pelo juiz havia avaliado o imóvel anteriormente em R$ 567,7 mil, mas o Sindicato impugnou o valor. “Concordamos com o valor que o sindicato disse que vale para acelerar o processo.” O advogado também informou que os membros do Sindicato ainda não se manifestaram sobre a autorização do leilão da sede. Judicialmente, se o Sindicato vier a sanar a dívida, o leilão é automaticamente suspenso. “Se for depositado o dinheiro do processo, se o devedor quitar esses valores, a penhora acaba assim como em toda dívida”, explicou Carvalho. Segundo o advogado, com juros, o valor atual da dívida do Sindicato dos Servidores com a administradora é de aproximadamente R$ 350 mil.
A reportagem tentou entrar em contato com o presidente do Sindicato, José Nhozinho Ramos, o Paraná. Durante todo o dia, o celular de Paraná esteve desligado e funcionários do Sindicato dos Servidores afirmaram que ele estava em reunião. Outro telefone fixo em nome dele foi contatado, mas o número estava programado para não receber chamadas. Até o fechamento desta edição, Paraná não havia retornado nenhum recado deixado pelo Comércio.
ENTENDA O CASO
Os problemas entre a Valecon e o sindicato começaram em 2009, quando a operadora firmou contrato com a entidade. Em abril daquele ano aconteceu o primeiro bloqueio de cartões dos servidores por falta de pagamento. Segundo trabalhadores, à época, o desconto era feito na folha de pagamento, mas o sindicato não repassava o valor à operadora. Três meses depois a medida se repetiu. Além do bloqueio por inadimplência, a Valecon também reduziu o limite dos cartões utilizados pelos funcionários.
Em março de 2010, com uma dívida em torno de R$ 300 mil, a empresa resolveu cancelar o convênio com o Sindicato. Paraná fez um acordo com a Valecon, em agosto do mesmo ano, para quitar a dívida em 22 meses, com valores diferenciados. De acordo com Carvalho, o Sindicato depositou pouco mais de R$ 70 mil nos primeiros meses de negociação e depois não pagou mais nada.
Em janeiro de 2011, a Valecon entrou com uma ação na Justiça contra o Sindicato, cobrando uma dívida de R$ 276 mil. Em novembro, a Justiça decretou a penhora da sede da entidade como pagamento do débito. No dia 25 de junho deste ano, foi proferido o despacho de leilão do imóvel, publicado no Diário Oficial no último dia 10 de julho.
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