Violência doméstica


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A constatação é triste, mas não surpreendente. A violência do homem contra a mulher não é nenhuma novidade na história humana, sobretudo no Brasil, país onde a mulher ocupou sempre uma posição extremamente subalterna a do homem, dependendo dele em praticamente todos os aspectos, principalmente no financeiro.

O que está acontecendo agora é que em função dos avanços experimentados por nossa democracia nas últimas décadas, com mais informação disponível para todos, com o aumento no nível educacional de toda a população e com a entrada da mulher no mundo do trabalho, o que vai aos poucos libertando-a do jugo masculino, esses casos começam a aparecer mais, já que as mulheres vão tomando coragem para denunciar e buscam ajuda nas delegacias especializadas.

De qualquer forma, esse número elevado de agressões é uma constatação de que muito ainda precisa ser feito para se acabar de vez com essas atitudes animais e covardes de machões extemporâneos, que muitas vezes são verdadeiros cordeiros fora de casa, mas que dentro se transformam em bestas disfarçadas de homens, abusando da força diante de crianças e mulheres indefesas.

O maior problema para coibir essas agressões, no entanto, se encontra na própria reação das agredidas. Segundo a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), na maioria das vezes elas acabam retirando a queixa contra os agressores, seja por conta da dependência financeira, por causa dos filhos, por pena ou por achar que ainda podem recuperar o companheiro caso ele abandone a bebida, que segundo a DDM é a principal explicação para as agressões.

Nesse sentido, para conseguirmos diminuir um pouco o número de agressões em nossa cidade talvez seja necessária uma ação mais enérgica e efetiva por parte do poder público. Mesmo que as mulheres continuem relutando em processar seus companheiros agressores, retirando as queixas contra eles, talvez o próprio Estado possa fazê-lo, insistindo no processo mesmo à revelia das agredidas ou mesmo instaurando o processo caso a agressão seja confirmada, mas não seja feita a denúncia.

Essa atitude por parte do Estado poderia garantir a essas mulheres o direito de viverem mais tranquilamente com seus filhos, livrando-as do medo, da ansiedade e dos traumas psicológicos.

Além disso, uma atitude mais enérgica por parte do Estado contra esses agressores também poderia minimizar os traumas futuros dessas crianças que cotidianamente presenciam essa violência e, em muitas ocasiões, acabam também sendo alcançadas por ela.

Em suma, é preciso que as mulheres sejam encorajdas a uma nova postura. Mas como são mulheres subjugadas, esse reposicionamento precisa ser incentivado e isso passa necessariamente por um pouco mais de rigor por parte do poder público para acabar com essas agressões.

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