Patrimônio dos vereadores dispara nos últimos 4 anos


| Tempo de leitura: 5 min

Oito dos nove parlamentares candidatos à reeleição em Franca elevaram consideravelmente seus patrimônios nos últimos quatro anos. Há casos em que os bens foram dobrados, triplicados e até quadruplicados no período. O valor, que inclui imóveis, veículos e aplicações financeiras, foi declarado por eles à Justiça Eleitoral, obedecendo exigência para o registro da candidatura. Juntos, os nove vereadores que são candidatos à reeleição têm R$ 3,1 milhões. Em 2008, eles declararam ter R$ 817,9 mil. Todos têm uma explicação para a “maré de sorte”.

Em Franca, o salário bruto mensal de um vereador é de R$ 4.801,85. De acordo com os parlamentares, descontados impostos e plano de saúde, o valor cai para aproximadamente R$ 3,8 mil. No final de quatro anos de mandato, cada vereador teria acumulado, se não gastasse um centavo dos vencimentos, cerca de R$ 182,4 mil.

O tucano Jépy Pereira é o vereador mais rico. Seu patrimônio saltou, em quatro anos, de R$ 326 mil para R$ 1,294 milhão. O político, que está em seu quinto mandato, atribui essa evolução a sua atividade profissional: Jépy é advogado especializado em aposentadorias. Ele afirma que, em 30 anos, já aposentou 6.938 pessoas em Franca. “Hoje eu tenho mais ou menos 1.500 ações em andamento, como advogado previdenciário. Cada ação que você liquida dá 30, 20, 25, 40 mil reais de honorários”, disse.

Nas eleições de 2004, o vereador declarou à Justiça bens no valor de R$ 188 mil. No pleito anterior, em 2000, havia re-gistrado muito mais: R$ 594 mil. “Toda a evolução do meu patrimônio é justificada com o pagamento dos impostos que eu faço anualmente à Receita Federal”, afirmou Jépy.

‘ERRO CONTÁBIL’
O segundo vereador mais rico, de acordo com os números apresentados à Justiça, é Laercinho (PP), que acumula patrimônio no valor total de R$ 715 mil. No registro da candidatura dele em 2008, aparece que o “candidato não possui bens a declarar”. Na lista de 2004, ele tinha R$ 2.200.

Laercinho afirma, no entanto, que em 2008 já era proprietário de duas casas e de um carro e que houve um “erro contábil do partido” na declaração de 2008. O vereador disse que “assinou em branco um punhado de papel” e que o diretório municipal do PP teria se equivocado na hora de preencher sua documentação. O presidente do PP em 2008 era João Marcos Rodrigues, que foi procurado pelo Comércio para comentar o assunto na última sexta-feira, mas não atendeu às ligações.

Laercinho fez questão de dizer ainda que seus bens foram declarados com base no preço de mercado, mas que muitos candidatos apresentam imóveis abaixo do valor venal (aquele que é estabelecido pela prefeitura, sem atualização, para a cobrança de IPTU). “Eu sou corretor e declarei o valor de mercado. No meu entendimento isso é o correto.”

Outro que figura entre os mais ricos que disputam a reeleição é Oscar Mercuri (PP). Em quatro anos, seu patrimônio aumentou R$ 207,5 mil. O vereador, que também é servidor público municipal, disse que adquiriu, ao longo do mandato, uma casa e um carro, ambos financiados. “Para comprar a casa peguei meu Fundo de Garantia na Prefeitura e financiei o resto.”

O petista Silas Cuba viu seus bens quase dobrarem em quatro anos. Passou de R$ 53,7 mil para R$ 105,8 mil. Silas disse à reportagem que, independentemente do trabalho na Câmara, continuou no serviço público, área em que atua há 25 anos como professor. “Quanto mais tempo você fica no serviço público, mais acumula. Existe quinquênio, sexta parte, você vai melhorando seu rendimento. Além disso, em 2008 eu formei um filho em medicina. Eu gastava muito com o curso dele e aí me deu um fôlego.” Cuba afirmou ainda que, no ano passado, ganhou uma ação trabalhista “de valor considerável”.

De acordo com dados da Justiça, nos últimos quatro anos, o patrimônio do vereador Josivaldo Bahia (PTB) aumentou R$ 149,8 mil. Ele explicou que a evolução de seus bens se deve à regularização das escrituras dos imóveis que já possuía antes de 2008. “Nós temos uma rede de lanchonetes aqui em Franca, que também gera renda”, afirmou o parlamentar e completou: “Neste mandato eu não comprei nada”.

RÁDIO
O patrimônio de Marcelo Valim (PSDB) subiu de R$ 66,5 mil para R$ 191 mil nos últimos quatro anos. Ele disse que os bens são fruto de seu trabalho fora da Câmara e que simplesmente tirou uma cópia da Declaração do Imposto de Renda e a enviou para registrar sua candidatura. “Vereador não é profissão. Eu sou jornalista e radialista. Tenho uma produtora de vídeo e tenho uma empresa na qual eu comercializo as minhas propagandas.”

Em quatro anos, os bens de Marco Garcia (PPS) passaram de R$ 165,7 mil para R$ 214,4 mil. “Se você considerar apenas o subsídio de vereador, não consegue crescer o patrimônio”, disse o parlamentar ao afirmar que seus ganhos vêm basicamente de sua empresa de produtos de limpeza.

Paulo Afonso (PT), que teve o patrimônio acrescido em R$ 42 mil desde 2008, disse que sua renda é proveniente do trabalho na Câmara. O vereador afirmou que exerce atividade não remunerada no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Calçado de Franca (Sindicato dos Sapateiros de 1941) e que os bens que declarou à Justiça Eleitoral estão financiados, ou seja, ainda não foram quitados.

QUEDA
Pastor Otávio foi o único vereador que declarou queda no valor de seus bens. Em 2008, tinha R$ 95 mil. Neste ano, tem R$ 87,5 mil. “Como eu não tenho outra fonte de renda e dei ajuda para o trabalho social e para pessoas que me procuraram, acabei me endividando e vendendo o único imóvel que eu tinha, além da casa, que era um terreno no Aeroporto.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários