Homem resiste à medicina preventiva e atrasa exames


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O empresário Alonso y Alonso Bittar, em sua loja; ele diz que até os 46 anos “fugiu’” de médicos, mas agora se cuida melhor
O empresário Alonso y Alonso Bittar, em sua loja; ele diz que até os 46 anos “fugiu’” de médicos, mas agora se cuida melhor

Hoje, 15 de julho, é comemorado o Dia Nacional do Homem. A idéia original para a criação desse dia apoiou-se principalmente na conhecida e tradicional teimosia masculina diante do simples ato de ir ao médico. Em razão disso, buscou-se utilizar a data para conscientizar e incentivar os homens a cuidarem da saúde de forma preventiva.

O empresário Ismael Alonso y Alonso Bittar, proprietário do Empório das Lixeiras, apesar de ser neto de um dos mais reconhecidos e importantes médicos francanos, do qual leva o nome, é um francano que até bem pouco tempo era bastante reticente em relação à saúde preventiva.

“Até os 46 anos de idade eu não fazia nada. Nada de médico e quase nada de exames. Hoje, aos 48, eu percebi que era uma burrice e já estou me cuidando melhor.”

Para ele, essa resistência não é algo racionalmente pensado, mas sim um problema cultural, um hábito que mesmo inconscientemente os homens foram incorporando ao longo do tempo.

“É claro que em relação ao exame da próstata, ao toque, propriamente dito, existe ainda algum preconceito por parte dos homens, mas de resto eu acho que é mesmo uma questão de costume.”

O médico Cláudio Murta, coordenador do Centro de Referência da Saúde do Homem, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde, também acredita que o problema cultural seja o maior impeditivo para o sucesso da medicina preventiva em relação ao homem.

“Infelizmente, os homens ainda acreditam no mito do super-homem, acham que nunca vão ficar doentes. Além disso, por serem os provedores da casa, pensam que não podem sair da rotina de trabalho para visitar o especialista e muito menos adoecer. É realmente uma questão de cultura, algo que vem de longe.”

O especialista reconhece que existem também as questões relacionadas à vergonha e ao preconceito, sobretudo no caso dos problemas relativos à próstata e a algumas outras doenças ligadas à sexualidade, mas adverte que essa situação de resistência é encontrada em todas as especialidades da medicina.

Murta diz, no entanto, que esse cenário vem mudando nos últimos anos, a despeito do fato de que muitas mulheres ainda são as principais responsáveis por fazerem seus maridos irem ao médico preventivamente.

Segundo estudo realizado pelo Centro de Referência, apesar das mudanças, mais de 1.500 homens, ou 60% do total de pacientes do Centro, chegam ao hospital já com o câncer de próstata em grau avançado, o que geralmente requer a imediata intervenção cirúrgica.

Aplicando o estudo do Centro de Referência em Franca, aproximadamente 44.700 homens seriam resistentes à saúde preventiva, uma vez que a população masculina acima de 25 anos, segundo o IBGE, soma 74.509 pessoas.

Mas, para o urologista Marcelo Morickochi, o cenário em Franca mudou muito nos últimos anos. Com a experiência de 16 anos de serviço na Santa Casa, na Unimed e em seu próprio consultório, ele acredita que os homens francanos estão bem mais conscientes atualmente.

“Eu acredito que essa questão de vergonha e preconceito mudou bastante. De cada dez pacientes que entram em meu consultório, apenas um se mostra um pouco resistente. E os mais velhos são geralmente os mais tranquilos.”

Para Cláudio Murta, é importante que os homens comecem a fazer um check-up aos 25 anos, mesmo sem a profundidade do exame dos 40 anos.

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