Montada pela consultora Fernanda Barbosa, a Confraria do Vinho Galo Branco funciona ininterruptamente há dois anos e meio. Atualmente, é composta por 14 pessoas que se reúnem uma vez por mês para aprofundar seus conhecimentos sobre essa bebida milenar.
A Confraria tem presidência, secretaria, estatuto e até uma ata que é feita em todas as reuniões. Como regra básica, não se pode usar batom nem perfume, para que ambos não interfiram na degustação do sabor e no aroma do vinho.
“Para entrar nesse grupo é necessário fazer o curso de introdução ao vinho. Isso é feito para criar um conhecimento básico comum entre todos os membros da Confraria”, diz Fernanda.
Flávia Lancha Oliveira, empresária do ramo da cafeicultura, é a atual presidente da Confraria. Ela foi aluna da sétima turma do curso e até hoje não parou de se aprofundar no mundo da enologia. Entusiasta do curso e desses encontros, Flávia diz que já passou isso para os filhos.
“Essa é com certeza uma questão cultural. Como eu fui aprender sobre vinho, meus filhos já estão naturalmente se interessando em conhecer melhor essa bebida. É questão de começar”, diz Flávia.
Rosana Branquinho, que hoje assessora Fernanda na empreitada de popularização do vinho, também foi aluna do curso. Ela se lembra que no começo estava um pouco resistente e disse ao professor Fernando Dagoberto que dificilmente trocaria sua cerveja bem gelada por um vinho.
“Hoje eu mudei totalmente. Claro que continuo tomando cerveja, mas não troco o vinho por nada”, revela Rosana.
O contador Pedro Rinaldi, outro membro da Confraria, lembra que começou a tomar vinho porque de certa forma essa é uma bebida que faz bem à saúde. Mas ele não sabia nada sobre vinhos e bebia qualquer um, sem qualquer preocupação com aroma, sabor ou qualidade.
“A partir do curso, passei a conhecer o que é um bom vinho. Consequentemente, passei a apreciá-lo melhor e também a consumi-lo com mais regularidade”, diz Pedro.
O representante comercial Marcos Almeida Dias também começou com o vinho um pouco por acaso. “Aprendi a apreciar o aroma que as diferentes uvas proporcionam à bebida. E, além do mais, o vinho é ótimo porque não dá nenhuma ressaca no dia seguinte”, brinca Marcos.
O médico José Eduardo Rodrigues é outro que se encantou com o curso, com as degustações e com a Confraria. “Com o que aprendi no curso e na Confraria, eu agora consigo apreciar não apenas o vinho, mas todas as bebidas que tomo. Aprecio melhor o whisky, a cachaça e até mesmo a cerveja.”
Já para Aldine Rocha Manfrin, a mais antiga participante da Confraria, uma das coisas mais importantes do vinho é o resultado que ela traz para seus bebedores. “Além de fazer bem para a saúde, o vinho deixa o melhor ‘bafo’ de bebida que existe. O de cerveja é insuportável”, brinca Aldine.
RESTAURANTES
O juiz de direito Alexandre Semedo de Oliveira, também membro assíduo da Confraria, diz que na maioria dos restaurantes de Franca ele não consegue apreciar um vinho da mesma forma que o faz na Confraria. Isso porque, segundo ele, apesar de ter melhorado nos últimos anos, ainda é difícil encontrar em Franca um espaço que saiba servir o vinho em uma taça adequada, na quantidade e na temperatura corretas.
“É difícil encontrar até mesmo cartas de vinho. A maioria não tem. Só recentemente alguns dos bons restaurantes de Franca começaram a dar mais atenção a esses detalhes”, diz.
Ciente dessa carência, Fernanda diz que tem convidado todas as pessoas envolvidas no ramo da gastronomia e que de alguma forma tangenciam o mundo dos vinhos para participar dos eventos que organiza. “A idéia é disseminar o conhecimento sobre o vinho para o máximo possível de pessoas e fazer de Franca um bom lugar para apreciar e saborear essa bebida”, conclui.
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