O Santo Sudário


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Sudário era uma espécie de lençol que, além de servir para enxugar suor – como o indica o próprio nome –, servia também para envolver cadáveres segundo costume disseminado na antiguidade. Na época de Jesus, entre os judeus, os mortos eram sepultados depois de preparados com substâncias aromáticas e envoltos em tecido de linho, o sudário.

De acordo com os relatos evangélicos, Jesus foi retirado da cruz, levado por Nicodemos e José de Arimateia e, devidamente coberto com um sudário, sepultado numa cova de propriedade deste último. Reza a tradição que Tadeu, no ano de 36, levou o lençol para a Turquia, de onde, depois de inúmeras peripécias, teria ido parar em Turim, na Itália.

Em 1988, foi retirada pequena amostra do tecido para exames, com vistas à comprovação de que se tratava mesmo do manto sagrado. Depois de exaustivas análises, adotando-se o método do Carbono 14, os cientistas concluíram que o tecido analisado datava de 1260/1390 não sendo, portanto, da época de Jesus.

Mas, no entanto, o que parecia ser ponto conclusivo, voltou a ser causa de dúvidas. A revista Veja, edição de 4 de abril último, reporta-se à obra O Sinal, do historiador de arte inglês Thomas de Wesselow, segundo a qual dois estudiosos americanos, o casal Joe Marino, teólogo, e Sue Benford, mostraram que os testes realizados em 1988 foram, na verdade, sobre pedaço de pano que não era o sudário original, mas remendo que lhe havia sido aplicado segundo uma técnica perfeita, muito utilizada na Idade Média.

A informação levantou ruidosa celeuma, trazendo de volta a discussão que, de teológica, ganhara foros científicos, parecendo favorecer a tese dos que torcem pela autenticidade do pano que consideram santo.

Quanto às marcas impressas no sudário, uma corrente de espíritas defende a tese de que, se verdadeiras, podem ter sido produzidas por uma desmaterialização atômica, impregnando indelevelmente o tecido. Sabe-se que Jesus tinha total domínio sobre a vida e os fluidos. Designado pelo Pai, ainda em espírito, para, antes mesmo que a Terra existisse, no-la preparasse e a tomasse na condição de governador, Ele mesmo, já entre nós, proclamou: ‘A vida eu a tomo e retomo quando bem entendo’. Ora, Ele poderia perfeitamente ter desmaterializado seu próprio corpo, assim como materializou pães e peixes, agindo sobre os fluidos.

Se não nos cabe afirmar que o sudário examinado seja o que cobrira o corpo de Jesus, que consideremos, contudo, as hipóteses racionais. Que ponderemos, desapaixonadamente, sobre as opiniões dos pesquisadores e estudiosos, nutrindo, todavia, grande interesse em que o manto questionado seja o verdadeiro, porque representaria mais uma prova da passagem de Jesus entre os homens, além das que nos oferecem os registros do historiador judeu Flávio Josefo e os relatos dos evangelistas que conviveram com o Mestre, especialmente Mateus e João.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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