Carros e trânsito


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Com a vinda das montadoras norte-americanas e europeias o Brasil passou a organizar-se sob a égide dos veículos motorizados. Rapidamente, o nosso estilo de vida começou a pautar-se pela importância e pela necessidade de um veículo automotor. Por uma opção política e econômica, nossa sociedade privilegiou o transporte individual em detrimento do público, claro que em uma época na qual os problemas de trânsito ainda não incomodavam o cotidiano das cidades.

Dessa forma, em pouco tempo carros, motos, ônibus e caminhões dominaram o cenário urbano e ganharam a primazia nos transportes de passageiros e cargas por todo o nosso extenso território.

O problema é que com o tempo, principalmente motos e automóveis deixaram de ser apenas um meio de transporte. Aliando design, potência, conforto e preço, símbolos status, como vários outros produtos que conformam a moderna sociedade de mercado, são, além de uma necessidade, objetos de desejo.

Em si mesma, essa situação não é boa ou ruim. Se existem vários tipos e modelos de carros no mercado, todas as pessoas têm o direito de almejar aqueles que mais lhes agradam, algo que é bastante comum e legítimo dentro do modelo de sociedade liberal em que vivemos.

Quem ainda não tem carro ou moto, acaba colocando esse objetivo como um dos principais de sua vida. Quem já tem, almeja um mais novo, ou maior, ou mais potente, independentemente da classe socioeconômica a que pertença. Cada um, dentro de seu sistema de valores, vai em busca de algo que lhe traga uma sensação prazerosa de conquista, seja um design mais arrojado, uma potência mais elevada ou uma marca que reafirme seu estilo de vida, um modelo que lhe inspire mais confiança ou que atenda melhor às suas necessidades.

Como nesses últimos anos esse sonho foi aos poucos adentrando o cotidiano de mais pessoas, o trânsito acabou se intensificando ainda mais, já que as ruas e avenidas não se alargaram no mesmo ritmo desse consumo.

O problema foi que esse trânsito mais complicado gerou ainda mais estresse em um mundo já bastante dinâmico, competitivo e estressado. De forma disseminada, vem atuando fortemente sobre o emocional das pessoas, gerando atitudes arriscadas e reações perigosas de muitos dos envolvidos, o que acabou transformando nossas ruas e avenidas em uma espécie de praça de guerra.

Nessa linha de raciocínio, é possível inferir que as campanhas educativas, apesar de importantes e necessárias, são insuficientes para atenuar os problemas de trânsito, já que atuam mais diretamente sobre o concreto e o racional das pessoas.

Talvez já esteja na hora de agregar a essas campanhas um maior rigor nas punições, sobretudo aquelas que atingem o bolso do cidadão, reconhecidamente o ‘órgão’ mais sensível do ser humano.

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