A morte da professora Mathilde Caldeira Facioli, aos 97 anos


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Depois de 20 dias de internação no Hospital São Joaquim Unimed, onde recebia cuidados médicos exigidos para o quadro de Acidente Vascular Cerebral que a atingiu, morreu no dia 16 de junho, aos 97 anos, a senhora Mathilde Caldeira Facioli.

Conhecida e respeitada professora francana, Mathilde deixou saudade a várias gerações de estudantes e extensa rede de relacionamento. Era viúva de Nelson Facioli e matriarca de valorosa família integrada pelos filhos Marilisa (viúva de Manir Latuf), Nelson (casado com Eliane) e Alba (casada com João Raphael Di Tomazzo), cinco netos (Patrícia, casada com Luciano Carvalho; Andreia, casada com Nicola Archetti Neto; Bruna, casada com Vitor Di Tomazzo; Isabela, casada com Rodrigo Lopes, e Melissa), além de quatro bisnetos, Isadora, Dora, Pietra e Olívia.

Formou-se muito jovem, professora do ensino fundamental pela Escola Normal Livre de Franca. Seus primeiros anos de magistério foram cumpridos na Escola Rural do Engenho Queimado e em Itirapuã e Patrocínio Paulista (SP). Ingressou, então, como professora titular, na Escola “Cel. Francisco Martins” e lá atuou até a aposentadoria. Construiu sólida carreira e tornou-se referencial como professora moderna, antenada e... rígida. Formou, na escola, coral de estudantes e o regeu por anos. Há lembranças, dentre seus alunos, sobre a seriedade com a qual a professora Mathilde se dedicava a tudo que fazia, mas sabia dosar. Sua grande cultura pontificava sempre (lia antes de sair de casa para a escola, pelo menos dois jornais diários) e sua seriedade demonstrava aos alunos a necessidade recorrente de adquirir cultura, e, nesse caminho, não poderia haver descuido. “Minha mãe, além de professora séria e dedicada, foi uma mulher moderna e futurista. Sempre ensinou, especialmente em casa, que não se chega a lugar nenhum sem informação”, disse sua filha Marilisa.

Fora da sala de aula, Mathilde exercitou, por anos, engajado apoio à Associação Paulista de Combate ao Câncer de São Paulo e à sua presidente, Carmem Prudente, mesmo estando em Franca. Dedicava-se a levantar recursos para a instituição para onde convergiam, à época, os portadores da doença francanos. Recebeu o reconhecimento da instituição, pelo apoio e incentivo, em reuniões anuais na capital. Depois que fez 90 anos, dedicou-se a escrever um livro, de cunho religioso. Lançou-o e doou a renda da venda ao Hospital do Câncer de Franca. Aliás, a escrita sempre esteve presente em sua vida. Colaborou, em várias oportunidades, com apreciadas crônicas neste Comércio.

Gostava imensamente de viajar. Como o marido, Nelson, era muito caseiro, conheceu quase todo o Brasil ao lado de amigas, sempre em excursões. Segundo Marilisa, “elas gostavam era da companhia umas das outras. Iam, na maior parte dos passeios, de ônibus”. A filha se lembra de várias das amigas, e, homenageando-as, fala em Sônia Luz Hlibika e Olga Jorge, ambas já falecidas, para homenagear a todas as outras. “Esse grupo foi, por muitos anos, companhia firme e amiga de minha mãe”.

Marilisa se recorda, com carinho, do “jeito Mathilde de ser mãe, avó e bisavó”. “Ela era presente e... firme, na vida dos filhos e continuou sendo na de netos e bisnetos”. Firme e moderna: quando alguém saía à noite para se divertir, podia esperar por um “cuidado com a bebida; mantenha-se alimentado”, isso, há décadas. “É o que pais e mães modernos dizem, hoje, a seus filhos”, diz, rindo com saudade, Marilisa. O velório de Mathilde aconteceu no São Vicente de Paulo. O sepultamento aconteceu dia 19, no Cemitério da Saudade.

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