A sigla acima não se refere a nenhum banco ou instituição financeira envolvidos em escândalo ou prestes a entrar em apuros. Trata-se, efetivamente, de um veneno, um veneno perigosíssimo usado largamente no Brasil para matar pragas, insetos, animais peçonhentos e outros mais. Certa feita, a fim de exterminar ratos e baratas, meu pai pulverizou os porões do antigo Museu Municipal situado na confluência das ruas Júlio Cardoso e Tomás Antônio Gonzaga. A pulverização matou a bicharada e intoxicou meu pai por mais de 15 dias e obrigou ao fechamento do Museu até que o cheiro exalasse por completo. O veneno era terrível e, por isso mesmo, na década de 80, acabou sendo proibido em todo o território nacional.
Pois bem! Vamos ao caso. Gustavo encontrou, numa edícula do rancho de seu avô, um saco contendo um pó branco. Pelo aspecto, há muitos anos aquele saco achava-se abandonado e quase escondido num canto do velho depósito. Ao cheirá-lo de longe, sentiu um odor de terra molhada pelas primeiras chuvas e, consequentemente, percebeu que o saco continha um veneno perigoso, provavelmente o B.H.C. Gustavo poderia enterrá-lo, despejá-lo na represa, jogá-lo num lixão da cidade ou, simplesmente, deixá-lo no lugar em que se encontrava há tanto tempo. Contudo, cidadão consciente, responsável e defensor da ecologia, resolveu dar um destino correto ao perigoso veneno. Trouxe-o para Franca na certeza de que os órgãos incumbidos da preservação do meio ambiente pudessem solucionar o seu problema. Aí começou a sua maratona. Procurou a Vigilância Sanitária, a Cetesb, a SABESP, o Corpo de Bombeiros. Foi até à Promotoria Pública encarregada da preservação e fiscalização das questões relacionadas ao meio- ambiente. Como uma bolinha de ping-pong, Gustavo pulou de repartição em repartição, de departamento em departamento, de órgão público em órgão público à procura de uma destinação ecológica ao veneno. Nenhuma das entidades procuradas estava habilitada a dar um fim no veneno. Informaram-lhe que o pó devia ser queimado em Paulínia ou São Paulo sob as expensas do seu possuidor ou portador. Foi o que fez Gustavo e, assim, livrou-se do inconveniente saco. Para completar, escreveu um relatório (quase um livro) onde conta, nos mínimos detalhes, a sua odisséia.
Finalizando, prezado leitor, essa história deixa-nos um ensinamento: às vezes é preferível largar o saco num canto do que se aborrecer com tanta encheção de saco.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.