No passado mais longínquo, as pessoas deficientes eram praticamente abandonadas. Naquele cotidiano mais difícil, tempos em que mesmo sem nenhuma deficiência já era difícil ganhar a vida, sobravam para essas pessoas apenas as ruas ou algum quarto escuro de hospital, manicômio ou mesmo da própria casa.
Com a evolução da humanidade, no entanto, esse cenário foi se alterando. Aos poucos a tecnologia criou novas possibilidades de adaptação para essas pessoas e o acesso à saúde expandiu-se para todas as classes socioeconômicas, o que facilitou a inserção dos deficientes na sociedade atual e permitiu-lhes, inclusive, o acesso ao mundo do trabalho, ao lazer e ao entretenimento.
No entanto, mesmo nos dias de hoje, ainda falta muito para que os deficientes possam realmente gozar de seus plenos direitos enquanto cidadãos, apesar dos avanços incontestáveis que já foram realizados. E isso pode ser muito bem evidenciado pela matéria publicada por este Comércio na sexta-feira, 06/07. De acordo com ela, o município não está preparado para atender os 7,1% da população que apresentam algum tipo de deficiência.
A despeito do trabalho voluntário desenvolvido por vários agentes sociais, o poder público parece ainda muito distante de suas responsabilidades. As calçadas, ruas e avenidas, com pouquíssimas exceções, estão totalmente inadequadas às necessidades de cadeirantes e outros deficientes que têm problemas para se locomover. Os prédios e repartições públicas seguem a mesma regra e dificultam bastante a vida dessas pessoas, excetuando-se apenas alguns mais recentes, que já foram construídos de forma a facilitar-lhes a vida.
Nessa mesma situação, as instituições organizadas pela sociedade civil que prestam serviços a esses deficientes também não conseguem receber do poder público, em todos os seus níveis, o montante necessário para oferecer um atendimento de qualidade e com isso poder melhorar a vida desses deficientes e a de suas famílias.
De forma geral, dependem mais do trabalho voluntário, das gincanas organizadas, das rifas e das festas que são feitas para angariar fundos do que do apoio específico das autoridades.
Nesse sentido, está mais que na hora de mudarmos essa situação. No estágio atual da sociedade de direito em que chegamos, é totalmente inaceitável que essas pessoas continuem sendo privadas da ajuda necessária para viverem com mais dignidade, independentemente do tipo de deficiência ou de ajuda que venham a precisar.
E, com certeza, dinheiro não falta para isso. Não falta no país, no Estado e nem no município. É preciso definir como prioridade para que, efetivamente, se comece a agir em prol desse público.
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