Álcool na gasolina


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A grande pergunta é: será que os nossos governantes sabem realmente o que estão fazendo? É uma pergunta simples e corriqueira, mas como nunca foi respondida convincentemente, merece uma recidiva. Estão os nossos governantes levando o nosso país e o nosso povo (e, por que não, a nossa própria vida) no caminho certo? Há tempos venho sendo inquirido pela minha consciência sobre essa possibilidade, e a incerteza de uma conclusão favorável tem me tirado o sono. E tiraria de toda a população, se todos parassem um pouquinho nessa corrida diária para analisar o estado das coisas e as coisas do Estado.

Vejo,agora com a costumeira apreensão,que o órgão encarregado do nosso petróleo está cogitando aumentar o percentual de álcool na gasolina, alegando que houve diminuição no consumo do nosso combustivel branco e saudável (quem mora perto dos canaviais sabe que nem tudo são flores, nas queimadas tudo são cinzas), para controlar a balança dos negócios. Um cidadão mais atrevido diria que é para controlar o bolso do usineiro, mas não tenho coragem para tanto. Só penso, mas não falo. Na minha modesta concepção, o que aconteceu foi que aumentaram tanto o preço do álcool que não dá mais para abastecer o nosso veículo com o combustível genuinamente nacional, porque não compensa financeiramente, no fundo acabamos pagando mais caro pelo que, em tese, já é nosso.

Tenho um veículo flex, que tanto bebe gasolina quanto álcool. Não sei se é devido ao fato de que o etanol é parente da Ypioca, mas o meu possante, quando encho o tanque, adora beber o álcool rapidamente. Não fica embriagado, mas também não vai muito longe e logo encosta novamente numa bomba. Fazendo as contas, há muito tempo venho abastecendo somente com gasolina e o meu companheiro pode até não gostar, mas atende muito melhor (livre da bebedeira), não falha e pega na partida que é uma beleza.

Então, por que gastar mais com o álcool (etanol), se é na gasolina que mora a tranquilidade? Como não poderia contrariar os fortes donos da cana, nossos governantes arrumam essa saída, aumentando a dose de álcool nos nossos tanques, de maneira obrigatória. É correto isto? Temos que comprar o que não queremos, não em razão da impropriedade do etanol, mas em razão do exagero no preço cobrado nas bombas, que enriquecem cada vez mais os coronéis do açúcar e do álcool e sacrificam os pobres consumidores? Como não podem aumentar o tamanho do tanque, aumentam o percentual do álcool e, assim, vende-se o que está encalhado. Na verdade, o álcool é caríssimo. Tão caro que qualquer fazendeiro que arrenda suas terras para as usinas encontra na atividade uma mina de ouro, como é público e notório.

De minha parte, entendo que, desta vez, o governo submete o povo aos seus caprichos para favorecer os mais ricos. Não gostei da medida, imperiosa e verdadeiro descalabro, que servirá para mostrar que nem sempre nossos dirigentes estão certos de suas decisões e, pior, cientes do que estão fazendo. Como os preços dos remédios, asssunto para outro comentário, outra hora...

Clésio Dante da Silveira
Delegado de polícia aposentado e escritor

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