Nas cidades, o transporte público existe para facilitar, baratear e agilizar o trânsito. A lógica é simples. Se concentrarmos várias pessoas em um único veículo, perfazendo um mesmo caminho e percorrendo uma mesma distância, com certeza o custo do transporte individual desses passageiros será bem menor do que se cada um deles fizesse o mesmo trajeto em veículo próprio, entupindo a cidade e gastando uma quantidade bem maior de combustível.
No entanto, essa conta simples, apesar de secularmente conhecida e facilmente provada, parece que não está funcionando em nossa cidade. A julgar pelo aumento das passagens na última semana, é possível dizer que se locomover de ônibus em Franca ficou mais caro do que pagar a prestação de uma moto ou colocar combustível no carro.
A R$ 2,80 a passagem, uma pessoa que precisa pegar dois ônibus por dia terá uma despesa mensal de R$ 123,20, considerando-se 22 dias de trabalho. Se tiver que pagar por dois ônibus para chegar ao trabalho e depois retornar para a casa a conta vai invadir a casa dos R$ 200, um valor que atualmente é bem maior do que a prestação de uma moto de 125 cilindradas.
Mas essa comparação não vale apenas para a prestação de uma motocicleta. Levando-se em consideração os números expostos acima, mesmo quem se utiliza do automóvel para se locomover no trânsito francano pensaria duas vezes antes de abandonar o conforto, a comodidade e a conveniência de seu veículo para se utilizar do transporte coletivo, a despeito de sua eficiência e eficácia.
Além dessas, porém, outras comparações são possíveis, mostrando que existe alguma coisa errada com nosso transporte público. Cidades do mesmo porte de Franca ou cidades ainda maiores, como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, possuem tarifas mais baratas que Franca. Nessa última, por exemplo, uma cidade que é bem maior que Franca, a tarifa foi reduzida recentemente, passando a custar apenas R$ 2.
Nesse sentido, é necessário refletir sobre o que está acontecendo em Franca. É preciso que nossas autoridades e a empresa concessionária desse serviço encontrem formas de baratear o valor dessa passagem, deixando-o no mesmo patamar ou até mais em conta do que é hoje cobrado nessas cidades.
Se o problema for realmente o excesso de descontos praticados em favor de parcelas da população, como alega a empresa São José, então seria importante que nossa Câmara começasse a rever esses descontos, pois não é justo que outras parcelas da população acabem sendo obrigadas a arcar com esses descontos.
Um transporte público caro como esse que estamos vivenciando em Franca é mais um fator a impulsionar a busca pelo veículo próprio, o que é ruim para o trânsito da cidade e também para o meio ambiente.
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