Família de Patrocínio sofre à espera de vaga no ‘Allan Kardec’


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A operária desempregada Gabriela Aparecida de Souza e sua mãe Hilda da Penha dos Santos, 53, vivem assustadas dentro da própria casa, depois que o pai se tornou violento por causa da doença
A operária desempregada Gabriela Aparecida de Souza e sua mãe Hilda da Penha dos Santos, 53, vivem assustadas dentro da própria casa, depois que o pai se tornou violento por causa da doença

A operária desempregada Gabriela Aparecida de Souza, 25, moradora do bairro Santa Cruz, em Patrocínio Paulista, vive um drama à espera de uma vaga para internar seu pai no Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”. A família do lavrador de 48 anos, diagnosticado com esquizofrenia crônica, há um mês recebe a mesma resposta da única unidade especializada da região: os 200 leitos disponíveis para o SUS (Sistema Único de Saúde) estão ocupados e não é possível aprovar a internação de novos pacientes. “O controle de vagas é feito pela Secretaria de Saúde de Franca, onde são concentrados os pedidos de internações. O que nós fazemos é informar a nossa capacidade, que atualmente está 100% em uso”, disse o presidente da fundação que administra o hospital, Wanderley Cintra Ferreira.

Enquanto aguardam, família e vizinhos sofrem com os surtos psicóticos do pai de Gabriela, que por diversas vezes já arrombou a própria casa e de familiares vizinhos. “Ele sai de casa logo cedo e vai para a rua, só volta à noite para dormir. É violento e agride as pessoas que passam pelo bairro. Não sei mais o que fazer”, disse a jovem que abandonou o trabalho para proteger a mãe, Hilda da Penha dos Santos, 53, das agressões do pai.

De acordo com a família, o lavrador sempre foi um homem trabalhador e responsável, mas desde 2010 ficou doente e perdeu o controle das próprias ações. “Ele anda por aí sem rumo e entra na casa dos outros, solta as galinhas e causa tumulto. Um dia chegou machucado em casa. Alguém, sem saber que ele é doente, bateu nele. Meu pai precisa de cuidados urgentemente”, desabafou Gabriela.

Os vizinhos já estão se acostumando com a situação a ponto de não mais chamar a Polícia Militar ou registrar Boletim de Ocorrência para denunciar os atos do lavrador. A reportagem do Comércio esteve na casa da família na semana passada e encontrou o lavrador andando sem destino, sem camisa e descalço pelas ruas da cidade. Em alguns momentos, ele parava ao lado de um muro ou de uma árvore e parecia não saber como havia chegado ali. No momento seguinte, voltava a andar rápido, com um olhar assustado, como se estivesse fugindo de alguém.

Enquanto não consegue a vaga no hospital, a filha faz o que pode para tentar conter o pai. Nos fundos da casa, uma residência simples construída em um terreno íngreme, existe um quarto em condições precárias. “Ele fica aqui durante a noite. Não dorme um minuto sequer. Arrasta a cama o tempo todo e faz as suas necessidades no chão. A comida que a gente dá, ele espalha pelo quarto todo, não tem condições de ele viver assim”, desespera-se Gabriela, que diz ser impossível oferecer melhor estrutura ao lavrador, já que dentro da casa da família ele não fica.
 

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