A novela parecia ter chegado ao fim. Para a felicidade de uns e para o desespero de outros, decidiu-se na Justiça que as lojinhas do Leporace seriam demolidas. Depois de várias liminares e de muitos anos de idas e vindas em nosso complexo sistema judiciário, era de se esperar que dessa vez as coisas se encaminhassem de forma mais transparente e tranquila.
Infelizmente, porém, não foi o que se viu na manhã do sábado, 30/06. Reportagem publicada pelo Comércio no domingo, 01/07, mostra que funcionários terceirizados começaram a demolir uma locadora de vídeos.
A partir daí, os desencontros se repetiram, a mostrar que nossas autoridades e os poderes de nossa República, a despeito de um processo longo e cheio de falhas, continuam a não se entender na forma como deveriam. A proprietária de videolocadora disse não ter sido avisada sobre a demolição, o engenheiro responsável não se identificou nem apresentou a autorização ao iniciar o trabalho. A polícia foi acionada pelos moradores e muitos deles entraram em discussões com funcionários encarregados de remover os entulhos. O dono da empresa terceirizada chegou a determinar que seus funcionários parassem o serviço antes de terminarem a remoção do entulho.
É difícil acreditar, mas a novela só se estende. Nesse caso específico das lojas do Leporace, já está mais do que na hora de se encontrar uma solução definitiva para o caso.
Dessa forma, é importante respaldar-se na lei. Como é difícil viver em sociedade, ela é necessária para conterem-se os excessos, a despeito de quem esteja com a razão. Mesmo que tenham demorado a agir, Ministério Público e CDHU estão corretos em tese. Se por força contratual o conjunto habitacional não poderia ter construções na área de estacionamento, onde foram erguidas as garagens, então não há o que se discutir.
O problema, porém, é que nossas autoridades não se acertam. Se já não bastasse uma tentativa anterior que foi impedida pela própria população, que alegava ser necessário aguardar o resultado de um recurso impetrado na Justiça, essa agora teve nuances de filme de quinta categoria.
No momento em que os funcionários anunciavam o início da demolição, não havia nenhum representante da CDHU, como também não havia nenhum oficial de Justiça e nenhum representante da municipalidade. Somente funcionários e um engenheiro que, conforme apurou a reportagem, não apresentou suas credenciais ou a autorização judicial para o serviço que seria feito até a chegada da Polícia Militar.
Já está mais do que na hora de dar um basta nessa situação. Se realmente a Justiça acatou pedido do Ministério Público e obrigou a CDHU a fazer a revitalização do conjunto habitacional, sem direito a recurso, que então se proceda o que foi definido o mais rápido possível, para que não haja mais resistência nem sofrimento para essas pessoas. Mas, caso ainda caibam recursos, que se espere pela decisão definitiva da Justiça para demolir qualquer outro imóvel.
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