Revolução constitucionalista


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OO feriado de Nove de Julho foi comemorado ontem em todo o Estado de São Paulo, mas poucos atualmente conhecem a sua história, a sua origem. Poucos têm idéia do que seja a Revolução Constitucionalista. Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, nomes que deram origem a sigla MMDC e que são símbolos dessa luta, nos dias de hoje talvez não passassem de simples opções para a formação de novas duplas sertanejas.

E o pior é que esse desconhecimento acontece no estado que é berço da origem do movimento. Em função disso, não é totalmente despropositado imaginar que junto à população talvez esse feriado não tenha a importância que a ele se atribui, sobretudo se levarmos em consideração que todos os fatos históricos marcantes são geralmente lembrados por seu povo.

Em sua essência e em seus discursos, obviamente, a data tem importância na história brasileira. Sua ideia principal era impor limites constitucionais ao governo provisório de Getúlio Vargas, que após tomar o poder na Revolução de 30 encaminhava-se para um viés mais ditatorial do que republicano.

E de fato, se há algo de positivo em toda essa história, é a Constituição de 1934, que Getúlio viu-se obrigado a outorgar para poder compor novamente com os paulistas. Por meio dela conseguiu-se um novo equilíbrio, preservando alguns interesses antigos, mas também dando guarida a novos anseios, pelo menos até 1937, quando Getúlio deu um golpe de estado e assumiu definitivamente o poder.

Esse discurso, porém, talvez não seja muito confiável. Se olharmos para a história vamos ver que ele veio de uma elite que junto com a mineira dominou praticamente toda a chamada república velha, impondo uma espécie de ‘ditadura constitucional’ que ao longo dos anos ganhou a alcunha de ‘república do café com leite’.

De qualquer forma, o conflito, em si mesmo, foi bastante limitado, não durando mais que três meses. O número de perdas não passou de mil combatentes, um número considerado inexpressivo para uma guerra civil. O número de batalhas também foi ínfimo e as forças paulistas foram facilmente dominadas pelas forças de Getúlio.

Se empolgou a população em seus primórdios, aos poucos foi se perdendo seu ímpeto, sobretudo quando os líderes paulistas resolveram compor com Getúlio nos anos seguintes. Já em agosto de 1933, menos de ano depois de esmagada pelas forças legalistas, um de seus líderes, Armando de Salles Oliveira, era nomeado interventor em São Paulo pelo próprio Getúlio Vargas.

Talvez essa revolução já não seja mais conhecida por nosso povo porque, no fundo, foi mais um acerto de contas da elite brasileira. Aquele tipo de mudança que acontece apenas na superfície, para que nada mude nas profundezas de sua essência.

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