O aumento de 5,28% na tarifa das passagens de ônibus da empresa São José, concessionária do transporte público em Franca, pesou no bolso dos trabalhadores, especialmente dos que ganham salário mínimo e não têm nenhum desconto. Na última terça-feira, a passagem passou para R$ 2,80, um aumento de R$ 0,15. O valor é mais alto que o de cidades do mesmo porte ou até maiores que Franca, como Ribeirão Preto, por exemplo, que cobra R$ 2,60. O aumento gerou protesto no centro na última quarta-feira.
De acordo com a direção da Empresa São José, o reajuste é necessário porque cerca de 40% dos 70 mil usuários do transporte público em Franca têm algum percentual de desconto na tarifa. Empregadas domésticas e sindicalizados têm 30% de desconto. Os estudantes pagam 50% e os idosos não pagam nada. A empresa, no entanto, não informa quantos usuários têm direito aos descontos e qual o valor “perdido”.
A diarista Simonia Aparecida de Andrade Belchior, 47, paga a tarifa cheia. Ela não se enquadra na categoria das empregadas domésticas porque não trabalha em um lugar fixo e não é registrada. Sem carro, Simonia depende dos ônibus para trabalhar. Com o aumento, passou a gastar cerca de R$ 185 por mês com ônibus ou quase um terço do salário mínimo. “Faço faxina aos sábados e tem dias que eu trabalho em duas casas, ou seja, utilizo três passagens, duas de ida e uma de volta”, explica.
Moradora do Leporace, Simonia vive com o marido e duas de suas três filhas. Para economizar nos gastos, o marido dispensou o ônibus e utiliza uma bicicleta como meio de transporte. Fora do horário de trabalho, Simonia também precisa recorrer aos ônibus para o lazer.
“É aquele negócio, quase 20 reais só para nós três andarmos de ônibus [ela e as filhas], quando vamos para o centro da cidade”. As filhas da diarista, de 12 e 13 anos, não têm o desconto para estudante porque frequentam a escola no bairro em que moram.
Apesar dos gastos, Simonia não tem outra alternativa de transporte. “Não dá para eu andar a pé. Moro no Leporace. Como vou andar a pé, fazer faxina e voltar? Eu morro. Tenho que andar de ônibus. Sinceramente, precisaria ter outra empresa para fazer concorrência com a São José”, diz.
Apesar de ter desconto na tarifa (pagam R$ 1,96), as domésticas Lucelina Marta de Oliveira, 52, e Gracielle de Oliveira Borges, 23, mãe e filha, também sentiram o aumento. Elas pegam dois ônibus para chegar ao trabalho. “Piorou. Já não dava para comprar nem uma coisa diferente para comer num final de semana, fazer um passeio. Esse aumento foi péssimo”, diz Graciele.
LOTAÇÃO
Se o preço é alto, a qualidade do transporte deveria melhorar, dizem os usuários. Na prática, de acordo com Simonia, não é isso que acontece. “Tem lugares em que as linhas são muito ruins. Você fica mais de 40 minutos no ponto esperando o ônibus chegar. Eu chego a perder faxinas por causa do tempo de espera.”
Lucelina e a filha Graciele também reclamam. Na última quinta-feira, 5, a reportagem do Comércio esteve no Terminal Central e acompanhou a viagem de volta delas para casa, no Jardim Aeroporto 3. “Preciso fazer integração e, todos os dias, gasto uma hora e meia para ir e uma hora e meia para voltar para casa. É cansativo”, disse a mãe.
Naquela tarde, o ônibus saiu do terminal já lotado, com várias pessoas de pé. No decorrer do trajeto, mais passageiros entravam. Em nenhum momento o motorista deixou de pegar usuários nos pontos. “Todas as pessoas que pegam o ônibus falam para o motorista que já está cheio e não cabe mais gente. Mesmo assim, eles continuam colocando passageiros”, diz Lucelina.
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