Francano morto em acidente tira três pessoas da fila de transplantes


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 Muitas vezes o transporte de órgãos para transplante é feito via aérea, como esse de 2011
Muitas vezes o transporte de órgãos para transplante é feito via aérea, como esse de 2011

Há duas semanas, um francano ajudou a tirar da fila de transplantes pelo menos três pessoas em três cidades diferentes. O serralheiro José Augusto Almeida Medeiros, 22, que teve sua moto atingida por um carro, foi arremessado ao chão nas imediações do clube Castelinho e morreu uma semana depois, teve seus órgãos doados pela família.

“O Guto [como José Augusto era chamado] doava sangue, era muito solidário e caridoso. Por sermos católicos, nós também acreditamos que o espírito dele está no céu, e não no seu corpo, então nem demoramos muito para decidir que iríamos doar os seus órgãos”, disse o irmão dele, Hélio Sílvio Nogueira Júnior, conhecido como Juninho, que é administrador e cantor.

Os órgãos de José Augusto foram captados na Santa Casa na manhã do dia 23 e encaminhados para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde fica a sede da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos no interior do Estado de São Paulo, responsável por 593 municípios.

De acordo com Jeová Nina Rocha, médico do Departamento de Cirurgia e Anatomia do Hospital das Clínicas e coordenador do programa de transplantes da região, o fígado de José Augusto foi enviado para Campinas, um rim foi para a capital e outro, para São José do Rio Preto (SP).

Os nomes dos receptores são mantidos em sigilo. As córneas também foram doadas para o Banco de Órgãos do HC, mas Jeová não soube informar se um receptor compatível já foi encontrado.

DOAÇÕES
Em Franca, a captação de órgãos ocorre na Santa Casa. No ano passado, foram doados e retirado seis rins, seis córneas, três fígados e um pâncreas. Neste ano, além dos órgãos de José Augusto, foram captados no hospital seis rins e dois fígados.

A doação de córneas é mais comum: só o Projeto Luz, criado em julho de 2003 por voluntários, captou 234 córneas no ano passado e 144 até maio deste ano. O transplante de córneas é o único realizado em Franca. Desde 2004, a Santa Casa realizou 129 transplantes desse tipo.

Lila Ferreira, assessora de imprensa da Santa Casa, disse que falta informação às famílias para elevar o número de doação de órgãos.

“Por isso, é necessário realizar campanhas de conscientização. Quem autoriza a doação é a família, pais ou filhos, e, muitas vezes, como não conversam sobre o assunto, a família termina por não doar”, disse ela.

Após a morte, as famílias são consultadas por voluntários da Comissão de Transplante e, caso aceitem doar, têm que assinar um documento.

Hélio Silvio, o Juninho, espera que a doação de órgãos do irmão Guto sirva para incentivar essa prática que pode ajudar a salvar vidas.
 

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