O circo já foi motivo de alegria para muita gente. Fez milhares de crianças, jovens e adultos chorarem de tanto rir. Fez prender a respiração de outras tantas pessoas com os números do mágico, do trapezista ou do domador de leões. Puxe pela memória suas lembranças do circo e, se você tiver mais de 30 anos, com certeza dará boas risadas, ou se emocionará com as recordações. Hoje, a realidade sob a lona colorida é bem diferente.
O palhaço engraçado, a linda bailarina, o corajoso trapezista, o misterioso mágico e outros tantos personagens que povoam a imaginação popular há dezenas de anos podem estar com os dias contados. A afirmação, feita com tristeza pelo francano Jeferson Rakmer, dono e apresentador do Circo Rakmer, tem por base a quantidade de público que, ao longo dos últimos anos, tem diminuído consideravelmente. “É o amor que nós, proprietários e artistas circenses, temos pelo picadeiro que sustenta essa cultura”, afirma.
As razões para a queda de público são muitas, mas para ele, a proibição federal de ter animais se apresentando sob a lona é a principal delas. “Foi um doloroso marco na história do circo, pois eles eram, em muitos municípios, o principal atrativo. A quantos quilômetros de Franca fica o zoológico mais próximo? As crianças pediam para vir ao circo para ver os animais e isso acabou”, diz. No Rakmer, que está com espetáculo ao lado do Franca Shopping até o próximo dia 15, com ingressos a R$ 10 (preço único) hoje existem apenas cavalos e alguns poodles.
A Abracirco (Associação Brasileira do Circo) concorda com Jeferson, mas faz uma ressalva: o público menor não é resultado apenas da proibição do uso de animais no circo, mas da soma de vários fatores, como das muitas opções de entretenimento e do menor número de espaços públicos e particulares para os circos montarem suas estruturas nas cidades. “Em São Paulo, por exemplo, são raríssimos os terrenos disponíveis e, quando eles são encontrados, a especulação imobiliária os coloca com preços exorbitantes e inviáveis”, diz Camilo Torres, presidente da associação e também artista.
Tramita em Brasília um projeto para que a lei seja revista e, assim, as cidades não possam proibir que os circos que tenham como atração os animais instalem suas tendas no município. A ideia é de que não haja proibição e sim fiscalização. O projeto está sob análise interministerial e tem o apoio do deputado Francisco Everaldo Oliveira Silva, o Tiririca (PR).
Antônio Bartolo, 42 anos, agente de circo nascido e criado no picadeiro, também defende a fiscalização. “Há bons e maus circos, assim como há bons e maus professores, médicos e etc. Não dá para generalizar e achar que todos maltratam os animais. Até porque um animal de circo, como o elefante, por exemplo, custa em torno de R$ 200 mil. Não é viável fazer com que eles sofram e adoeçam”, explica.
Outro grave problema que o circo encontra hoje é a falta de patrocínio, que resulta em ingressos mais caros e, consequentemente, menos público. Segundo Rakmer, as grandes empresas destinam muito dinheiro para as companhias mais famosas, como o Cirque du Soleil, mas pouco valor dão a quem, como eles, lutam para não deixar morrer a história circense.
FISCALIZAÇÃO
A Prefeitura não tem, segundo o chefe da Fiscalização Municipal, Ismael Xavier, o número de circos que se instalam na cidade por ano, mas não passam de dez. Para que eles se instalem em Franca o responsável precisa, inicialmente, fazer uma solicitação para montagem do circo e indicar o lugar.
Se a área for particular, deve apresentar o contrato de locação. Se for pública, a Prefeitura analisa a conveniência da localização antes de autorizar. Após a montagem, o circo deve requerer o alvará para funcionamento, apresentando ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) assinada por um engenheiro ou técnico que se responsabiliza pela segurança da estrutura do circo e AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros).
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