Em Franca, cerca de 150 pessoas se reúnem todos os domingos para um programa bem peculiar: ouvir o canto de passáros. Eles formam o Clube dos Passarinheiros (Associação Francana de Avinhados e Bicudos), que oferece informações aos futuros ornitófilos sobre como criar aves de canto, que devem ser legalizadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Os pássaros de canto são criados em cativeiro, ensinados a realizar o canto de preferência de seu criador e, se forem bons nisso, podem valer muito dinheiro. Em alguns casos mais do que um carro zero. Além de seus cantos melodiosos, eles não requerem muito espaço e podem ser ótimos companheiros, porém devem ser legalizados. Os pássaros não podem ser vendidos sem autorização prévia.
Como não é permitida a criação de qualquer pássaro da fauna, somente animais nascidos em cativeiro e adquiridos através de criadores credenciados podem viver numa gaiola, em casa.
No mês de setembro, após quatro anos sem torneios, Franca vai voltar a realizar torneio de canto de passarinhos. Na temporada de campeonatos regionais, as aves vão somando pontos para o cobiçado título brasileiro, que será definido em duas finais, em dezembro.
A prova de Franca será realizada no dia 23 de setembro no Clube dos Passarinheiros. Mas antes, acontecem os minitorneios, que servem como preparação para os regionais. O de Franca será no próximo dia 29.
A premiação é definida em data próxima aos torneios, mas há desde troféus a televisores LCD e prêmios em dinheiro.
Cinco tipos de aves participam dos torneios: trinca-ferro, canário, coleira, bicudo e curió, que competem em duas modalidades: canto e fibra. Normalmente, na categoria que avalia a qualidade do canto, os favoritos são o bicudo e o curió. Na fibra, as aves demonstram valentia e desafiam as outras para ver qual canta por mais tempo. Os melhores nessa categoria são os trinca-ferros, canários e coleiras.
Segundo o vice-presidente do Clube dos Passarinheiros de Franca e um dos fundadores, Elpídio dos Reis, a maior intenção de um torneio é valorizar e criar a fama de um passarinho. “Quando um pássaro vence um torneio se valoriza muito. Um campeão brasileiro chega a valer R$ 50 mil ou mais tranquilamente. Já soube que o ex-jogador Rivelino tinha um curió avaliado em R$ 200 mil.”
De acordo com Epídio, o bicudo, que tem um dos cantos mais bonitos e não é mais encontrado na natureza, é o pássaro que chega a valer mais. “Entre os sócios aqui do clube, temos alguns bicudos que custam de R$ 5 mil até R$ 40 mil. Mas, eles podem chegar a R$100 mil facilmente, principalmente se ganharem algum torneio grande.”
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