Ecologia espiritual


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Realizada no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável contou com representantes de diversos países para tratar da preocupante questão do ambiente planetário. Diversas teses foram abordadas mostrando os riscos a que a Terra está submetida, em virtude do aumento populacional e, sobretudo, do uso indiscriminado dos recursos naturais. Vozes abalizadas, apoiadas em dados estatísticos convincentes e assustadores se levantaram para proclamar a urgência de medidas que visem a salvar a vida no orbe terrestre.

Inobstante o empenho geral, na contramão do convencimento, grandes nações, exatamente das mais poluidoras, recusaram-se a assumir, no processo de redenção planetária, o papel que lhes compete, preferindo ficar à margem das decisões.

No entanto, o fato de o mundo reunir-se para discutir problemas comuns já é, em si mesmo, um forte indicativo de progresso moral da humanidade. Parece indicar que há um consenso de que todos estamos no mesmo barco, ou melhor, na mesma nave infinita, ansiosos por conquistar a primeira classe.

Evidentemente que as leis divinas presidem a tudo e a todos, entretanto, na condição de seres dotados de inteligência e livre-arbítrio, somos responsáveis pela harmonia da natureza, no que diz respeito à vida no planeta. E o Espiritismo também ensina que é inarredável a necessidade de preservação do meio-ambiente e que o homem há de aplicar todos os recursos ao seu alcance, para o que não basta ação física, mas, sobretudo, qualificação moral da psicosfera humana. É que somos seres pensantes, recebemos e emitimos poderosas ondas mentais - ou psíquicas -, nas quais ainda prevalece o mal, causa dos desequilíbrios humanos e ambientais. Daí, a urgência de mudanças, não apenas nas ações, mas, sobretudo, nos pensamentos.

Por força da implacável lei de afinidade, muito bem explicada pela doutrina dos espíritos, atraímos para nós aqueles que, encarnados ou desencarnados, se afinizam com o nosso modo de pensar, sentir, agir. Resta evidente, porquanto, que não exercitando as vibrações do bem, estaremos sujeitos às vibrações do mal, sendo o contrário também, matemática e fisicamente, verdadeiro.

Bem a propósito, vale citar importante experiência ocorrida nos Estados Unidos. Segundo noticiário, numa pequena cidade do oeste americano, algumas famílias se preocuparam com o aumento da violência urbana e resolveram, embora em reduzido grupo, reunir-se todos os dias para orar e meditar.

Sabendo disso, outras pessoas também se juntaram ao grupo. A iniciativa expandiu-se e abraçou um número crescente de pessoas, requerendo espaço cada vez mais amplo. O núcleo central da sua preocupação era o de orar pelo fim da violência que, decorrido algum tempo, diminuiu significativamente.

É a ecologia espiritual, que alcançará sua plenitude tão logo nos convençamos de que todos os nossos problemas são uma questão de moralidade, que bem se reflete nas nossas relações com os desígnios divinos.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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