Cidade e futuro


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A História apresenta exemplos em que o futuro das cidades depende, quase sempre, de sua capacidade de planejamento e da definição de estratégias claras e precisas, de acordo com sua vocação particular. Curitiba ou Barcelona têm suas próprias características, produto de suas histórias, das oportunidades, da capacidade política e de gestão de seus governantes e empreendedores, e também do caráter de seus cidadãos, mais ou menos participativos sua vida política: Curitiba é uma cidade ‘verde’, inovadora em transporte público, ecológica, é exemplo brasileiro de persistência de planejamento ou Barcelona, onde um megaevento (as Olimpíadas de 1982) a situaram como uma cidade mundial e destino turístico cada vez maior.

Aqui, a opção industrial coureiro-calçadista foi fruto das contingências históricas e de articulação ao longo de décadas que gerou uma indústria forte o suficiente para sobreviver, inovar e crescer mesmo diante das tormentas e turbulências do moderno mundo capitalista e do catastrofismo de alguns analistas que repetem a mesma lenga-lenga que o mundo vai acabar amanhã. Contudo, para crescer de forma harmônica e sustentável, uma cidade precisa ser capaz de imaginar o que deseja para o futuro e não se contentar com o trivial, com a mesmice, com a falta de criatividade. Governos municipais burocráticos, autocráticos e pouco afeitos à participação social, como o que está se encerrando, há muito deveriam ser página virada da história, especialmente para os que querem outro mundo à frente. Infelizmente, numa sociedade como a brasileira, patrimonialista e pouco democrática, estas práticas ainda recebem algum apoio e se sustentam, apesar de sua inegável obsolescência e atraso. Felizmente, as transformações em curso estão fazendo com que estas experiências se esgotem rapidamente. Logo, o atual prefeito será apenas um nome esquecido na poeira do tempo. E só.

Aos novos administradores que governarão a partir de 2013 será necessário rever o ranço do autoritarismo da municipalidade e levar adiante um processo de planejamento participativo que permita não somente ao governo, mas também à universidade, às empresas e à sociedade, a criação e a definição de visões e estratégias compartilhadas de futuro, tendo a educação de qualidade e a inovação como instrumento de inclusão social e crescimento econômico. Ou seja, recuperar a capacidade de pensar e planejar democraticamente os rumos da cidade, o que quer sua gente e qual a cidade que podemos construir coletivamente.

Para isso, será urgente estabelecer mecanismos de mobilização e participação social, envolvendo especialistas e a sociedade, voltar a pensar em longo prazo de forma séria e sistemática, elencando um plano de ações com metas e indicadores que possa ser de fato monitorado pela sociedade, estabelecer um processo de comunicação e informação (inclusive digital) e ganhar o compromisso de participação de todos que sonham em construir uma cidade melhor. Como dizem alguns, com toda a razão, ‘o futuro não existe, o futuro se constrói’.

Mauro Ferreira
Arquiteto, bolsista da FAPESP e pesquisador do LabDes da UNESP - Franca

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