O número de pessoas com grande ou total deficiência em Franca é de 22.508, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados na semana passada. O número representa 7,1% da população da cidade que, segundo especialistas, não está preparada para proporcionar uma vida digna aos deficientes físicos ou mentais. Algumas entidades, inclusive, registram filas de espera por atendimento. De acordo com o Ministério Público, a cidade não está totalmente adequada aos portadores de deficiência e o Estado é omisso em relação a esta questão.
Na nova sede da Caminhar - Associação de Famílias, Pessoas e Portadores de Paralisia Cerebral de Franca -, são realizados atendimentos individuais, em dupla ou no máximo em trio nos seis tipos de terapia existentes e com equipamentos de última geração. São atendidos 120 pacientes com paralisia cerebral, mas a entidade conta com 158 inscritos que aguardam na fila de espera.
De acordo com a coordenadora do Projeto Caminhar, Ana Estela Fernandes Checchia, espaço para ampliação do atendimento existe, mas falta verba. “O que recebemos da Prefeitura não paga o que gastamos por mês, então precisamos de verbas para custear o aumento da carga horária dos terapeutas ou contratar mais profissionais. Buscamos parceiros que acreditem em nosso trabalho.”
Na Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais), são atendidos pacientes especiais com deficiência intelectual, múltipla e diversas síndromes. São oferecidos serviços de saúde, educação e assistência social. A entidade possui uma lista de espera que, de acordo com a assistente social Ernestina Assunção Cintra, será zerada no segundo semestre. “São 11 pacientes que estão na fila, já passaram pela avaliação e serão chamados no segundo semestre, mas estamos trabalhando com nossa capacidade máxima”, ressaltou Ernestina.
Para o promotor de Defesa das Pessoas com Deficiência em Franca, Alex Facciolo Pires, o Estado não faz o que deveria em relação à demanda e não está preparado para atender todas as necessidades dos deficientes. “De acordo com as demandas que surgem, as adequações vão sendo feitas, mas o Estado é omisso na questão dos deficientes e deveria fazer as adequações sem ser acionado judicialmente”, disse ele.
‘SUPERFICIAL’
Segundo o presidente da Adefi (Associação de Deficientes Físicos de Franca e Região), José Carlos Gomes, o número de portadores de deficiência apresentado IBGE é “superficial”. “Essa pesquisa não traduz a realidade por ser de amostragem, pode ser maior ou menor. Estamos trabalhando na tentativa de realizar uma pesquisa real para saber a quantidade exata de deficientes em Franca.”
Atendimento
As duas filhas da dona de casa Elenita Alves Barbosa, 35, utilizam há quatro anos a Caminhar. Mãe de três crianças com deficiência, ela revela que houve uma melhora com as terapias, mas reclama dos poucos horários. “A mais nova já escreve algumas coisas e solta mais a fala, mas não consegui fonoaudióloga para elas no mesmo dia.”
A dona de casa Luzia Muniz Fraga Assunção Dias, 47, tem uma filha de 25 anos que nasceu com deficiência intelectual e física. Ela não fala e não consegue segurar nem o próprio alimento e, por isso, é dependente da mãe. “Sei o que ela quer só pelo olhar ou quando ela chora. Depois de três meses de espera, conseguimos vaga aqui para ela fazer fisioterapia sozinha.”
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