Turismo ecológico


| Tempo de leitura: 2 min

A Rio +20 terminou frustrando todas as expectativas de avanços efetivos na questão envolvendo o desenvolvimento sustentável dos povos. Não se pode negar que houve ampla presença dos representantes dos governos da maioria dos países do planeta. Porém, de concreto, nada foi efetivamente definido, ficando as principais questões relegadas para 2014. Foi, sem dúvida, um evento morno, para não dizer frio.

A sociedade civil e os organismos não governamentais de proteção e defesa do meio ambiente também participaram ativamente do evento. Os setores de hotelaria, bares e restaurantes do Rio de Janeiro foram os únicos beneficiados diretamente com o evento, pois é inegável que houve um grande congraçamento dos povos e um amplo turismo ecológico, expressão corretamente usada pelo amigo e colega Toninho Menezes, articulista deste Comércio.

O documento elaborado e aprovado pelos participantes contém próximo de 49 páginas e não tem, segundo os especialistas, qualquer efetividade. A crise econômica mundial impediu que os países tidos como ricos comprometessem os seus orçamentos com ajudas aos países mais pobres, visando, assim, melhorar as condições ambientais entre os povos menos favorecidos e em benefício de todo o planeta – “melhorando as partes, você melhora o todo”.

Nem mesmo a pretensão da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) de que todos os países – e não apenas o Brasil – obrigassem a preservação de parte das áreas rurais para a constituição da reserva legal, chegou a ser apreciada e consequentemente aprovada.

Nada saiu do plano teórico e retórico e tudo que era esperado não chegou ao documento. Houve muitas manifestações, especialmente de tribos indígenas, mas sem qualquer conteúdo imediato próximo do satisfatório. A realidade é que o evento ocorreu em um momento em que o planeta vive a pior crise econômica desde 1929.

A impressão que fica é que a preocupação com o meio ambiente e com o futuro do planeta, no momento, é secundária. “O futuro a Deus pertence.” Agora temos de nos preocupar com a sustentabilidade econômica dos povos. Em síntese, no presente não há dinheiro sobrando para financiar projetos em defesa do meio ambiente. Há outras prioridades e ponto final.

Evidente que todo congresso mundial, com ampla repercussão, cuja temática é a defesa do meio ambiente, mesmo que medidas concretas não tenham sido aprovadas, acaba gerando uma consciência preservacionista nas pessoas, especialmente nas crianças e nos adolescentes. Esse legado é inquestionável. Aliás, sobre isso já escrevi neste Comércio que as novas gerações têm visão e atitudes concretas de preservação bem maiores que a das gerações passadas, Esse fato inegável, por si só, já é alvissareiro.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários