À espera da Rio+40


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A Rio 92 não foi a panaceia para os problemas ambientais enfrentados pelo planeta, mas foi bastante comemorada na época. Houve avanços razoáveis e muitas nações comprometeram-se com um tipo de desenvolvimento mais sustentável. De lá saíram vários acordos importantes, que possibilitaram o surgimento de políticas protecionistas em relação ao meio ambiente.

O contexto, porém, era outro. O mundo estava mais otimista e os países ricos viviam tempos de mais prosperidade. Hoje, no entanto, ao término da Rio + 20, percebe-se que não há muito o que comemorar. Os países mais pobres, é verdade, melhoraram. Os emergentes já acenam com mais influência no mundo contemporâneo, mas os ricos e desenvolvidos estão imersos em uma profunda crise financeira, o que acabou dando um tom de pessimismo ao evento e certa limitação nas intenções do documento final da conferência, denominado ‘O Futuro que Queremos’.

De forma quase consensual, ele foi entendido como pouco ambicioso. Para as organizações não-governamentais e muitos outros manifestantes presentes ao evento, o nome correto deveria ser ‘O Futuro que Teremos’, ou ‘O Futuro que não Queremos’. Até mesmo o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, fez críticas às limitações do documento final, mas por pressão do governo brasileiro, seu principal agente mediador, acabou mudando totalmente sua opinião, qualificando-o posteriormente como ‘ambicioso, amplo e prático’.

Essa pressão, no entanto, como também os elogios, parecem ingênuos e ineficazes, pois a julgar por esses desencontros e essas reações é de se esperar que mesmo essas tímidas propostas não tenham muita chance de serem implementadas ao longo dos próximos anos.

O problema, mais uma vez, é saber quem vai pagar a conta. Se já era difícil definir isso quando os países ricos, os principais ‘sujões’ do planeta, ainda estavam financeiramente estáveis, imagine agora quando estão passando por sérias turbulências financeiras?

Diante desse grande dilema, o resto fica parecendo o que realmente é: discussões nobres, porém estéreis, que se amparam em sonhos bem intencionados, mas se esquecem do pragmatismo econômico que impulsiona a realidade de consumo de milhões e milhões de habitantes desse planeta, pessoas que na prática cotidiana preferem o sonho mais concreto do crediário, do carro novo ou da casa própria do que a promessa futura de um planeta mais limpo e ambientalmente equilibrado, a despeito de quererem que isso realmente aconteça.

No fundo, o problema é basicamente econômico. A destruição do planeta vem da transformação que fazemos de sua natureza para criar os milhões de produtos destinados ao consumo das pessoas e aos lucros das empresas. Travar esse sistema significaria brecar o consumo e, em certo sentido, a expansão do capitalismo, por leitura do desenvolvimento, algo dificilmente aceitável.

A economia verde é algo possível, mas talvez não para todos, pois seus custos ainda são inviáveis. Alguém vai ter que pagar essa conta.

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