Racha socialista


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Bancada do PSB desiste de disputar as eleições para vereador

A candidatura de Marco Aurélio Ubiali à Prefeitura de Franca sofreu duro abalo ontem e tornou público o racha interno do PSB. A bancada do partido na Câmara, formada pelos vereadores Joaquim Ribeiro, Válter Gomes, que é o presidente do Legislativo, e Paulo Zamikhowsky, anunciou ao diretório municipal que não disputará as próximas eleições. A baixa é significativa. Somente Joaquim teve 4,8 mil votos em 2008. Apenas Graciela foi mais votada que ele. Oficialmente, o trio vai alegar questões particulares. É mais do que isso.

Se a decisão de Zamikhowsky não surpreendeu - ele já havia dito várias vezes que não tentaria a reeleição - o mesmo não se pode dizer de Válter e Joaquim. Ambos passaram a integrar o bloco de oposição no segundo semestre do ano passado e impuseram forte resistência às pretensões do prefeito. A dificuldade para aprovar a construção do viaduto é um exemplo. Em dezembro, Válter disputou e venceu a eleição para a presidência contra o candidato governista, Marco Garcia (PPS).

O presidente faz uma administração atuante e elogiada. Dava todos os indicativos de que buscaria mais um mandato à frente da Câmara. Terça-feira, alegou que os compromissos particulares estão consumindo todo o seu tempo e que é difícil conciliar com as atividades de vereador.

Joaquim Ribeiro foi presidente por quatro mandatos consecutivos e tem a vereança como uma paixão. O gabinete do médico é um dos mais procurados e sua atuação parlamentar é respeitada pelos colegas de plenário, que sempre buscam os seus conselhos. Joaquim diz a amigos que a decisão de não mais se candidatar é um pedido da família. Aos 74 anos, ele precisa descansar. Verdade. Há dois anos, ele sofreu um princípio de infarto e teve de passar por cirurgia. Segundo os médicos que o atenderam, o problema foi causado pela rotina de vida sedentária.

Mas é verdade, também, que ele pretendia ser o candidato a prefeito pelo PSB. Quem acompanha o cenário político local se lembra que, em fevereiro, o PSB se reuniu para lançar a pré-candidatura de Ubiali, mas que o encontro foi interrompido pelo assessor de Joaquim, Sebastião Solimar. “Espera, aí, o doutor também vai ser candidato”, disse ele na época. Dias depois, com a repercussão negativa, Joaquim voltou atrás e negou a intenção de se candidatar a prefeito. Alegou que o assessor teria agido sem sua autorização. Mas, o estrago já estava feito. Agora, Solimar será o candidato de Joaquim e corre para poder registrar a sua documentação. O prazo termina hoje.

A cicatriz que ficou do episódio se intensificou há duas semanas quando Ubiali aceitou de braços abertos o PTB, que havia sido rejeitado pelo grupo de Graciela Ambrósio. Entre os socialistas, há quem diga que a parceria não foi benéfica. Oficialmente, ninguém vai admitir que há divergências internas. “Não houve problemas. São grandes companheiros que foram muito importantes para nós. Eles vão continuar ajudando e farão parte do nosso conselho político”, comentou Luiz Antônio Cordeiro, presidente do diretório municipal. Difícil acreditar que três vereadores com chances expressivas de reeleição iriam abrir mão da disputa por questões particulares.

Assédio
Na segunda-feira, o secretário municipal de Finanças, Sebastião Ananias, tido como o responsável por ter equilibrado as contas da Prefeitura, se reuniu com o grupo de Ubiali na Câmara e recebeu o convite para continuar comandando a pasta se o médico vencer as eleições. Antes, já havia recebido em casa o petista Gilson Pelizaro, que lhe fez oferta semelhante. Graciela Ambrósio (PP) também fará questão de recebê-lo de braços abertos em seu eventual governo. Curiosamente, só o tucano Alexandre Ferreira não deu mostras de querer Ananias em seu time. “Temos uma relação amistosa, mas em nenhum momento houve enfático encaminhamento de que eu tenha qualquer importância na campanha dele. Sou um derrotado na prévia, ponto.”

Voz do silêncio
Ananias está chateado com o prefeito Sidnei Rocha, que teria feito comentários indelicados sobre o período em que enfrentou problemas de saúde, e admite a possibilidade de deixar a Prefeitura antes do término do atual governo. Queria ter saído esta semana, mas foi demovido da ideia. É certo que não participará da campanha do PSDB. Não pedirá votos para Alexandre, mas se recusa a dizer publicamente quem irá apoiar. “Vou me pronunciar no silêncio.”

Causos
O deputado Roberto Engler (PSDB) está completando 30 anos de vida pública. Iniciou a carreira como vereador em 1982. Para comemorar a data, planeja lançar um livro com os “causos” que presenciou ao longo das três décadas. A relação tumultuada com Sidnei Rocha deverá ganhar um capítulo especial. Engler conta que foi colega de Tiro de Guerra do prefeito e que, naquela época, o “amigo” o obedecia.

Tô fora!
O assessor parlamentar da Prefeitura, Edvaldo Costa (PMN), vai se desligar de suas funções nesta sexta-feira. Candidato a prefeito em Cristais Paulista, ele pretende dedicar atenção exclusiva à campanha. Promete retornar no dia 8 de outubro, ganhando ou perdendo.

Tropeço
Na terça-feira, durante as discussões do projeto que exige a instalação de muretas nos córregos da cidade, o Pastor Otávio (PTB) defendeu a proposta e criticou os vasos de flores que foram colocados pela Prefeitura em trecho da avenida Hélio Palermo. “De repente, um motoqueiro leva um tropeção e bate a cabeça no vaso...” Jesus! Bom dia a todos.

Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br

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