Uma moradora se depara com sangue escorrendo pelo muro. Ao procurar no telhado, descobre que era de um gato morto. Uma vizinha abre o portão de casa e se depara com um líquido amarelado escorrendo do corpo de um gato morto. Garotos saem à rua para brincar e encontram um felino morto na calçada e outros dois num terreno baldio rodeados por moscas e cheirando à carniça. As cenas têm aterrorizado os moradores do Jardim Santa Efigênia, na divisa com o Jardim São Gabriel, há cerca de duas semanas. Cachorros também apareceram mortos. Os vizinhos desconfiam que um desconhecido estaria dando carne com veneno aos animais.
A sapateira aposentada EM, 53, cria cachorros e costuma alimentar e dar água para cães e gatos que vivem nas ruas do Jardim Santa Efigênia. Pelas histórias que escutou dos vizinhos, calcula que cerca de 20 animais apareceram mortos nos últimos dez dias. Ela percebeu que duas gatinhas das quais tratava em sua rua estavam sumidas e ao investigar soube que estavam mortas. “Sei de um cachorro que morreu dentro do bueiro. Hoje no terreno aqui perto tem animais mortos e um monte já foi enterrado pelo pessoal. Mataram dois cachorrinhos de uma vizinha. Deve ser uma pessoa que não tem coração fazendo isso.”
EM disse que é comum os donos deixarem os cachorros soltos nas ruas do bairro, o que incomoda muitos moradores. “Precisa fazer uma conscientização do pessoal para que prendam seus animais, não deixem na rua.”
Ontem, três gatos, sendo um filhote, estavam jogados num terreno baldio na rua Izilda Paulino Ambrósio e na calçada. “Estão dando comida com veneno para eles e depois que morrem, jogam nesse terreno. Deram veneno para o cachorro do meu amigo. O cachorro urinou sangue e depois apareceu morto na porta da casa dele durinho já”, disse o estudante Brenner Moreira, 12, morador do Santa Efigênia.
Epaminondas Isaías Filho, 48, mora próximo ao terreno, no Jardim São Gabriel II, e cria três cachorras: Loura, Sharon e Neguinha. Com a matança dos cachorros e gatos, ele teme pela vida de seus animais. “Uma senhora disse que viu um homem magro e alto dando carne com veneno para os animais. É muito criminoso. Fico preocupado de jogarem no meu quintal, porque o muro é inacabado, e matarem minhas cachorras. Tenho criança em casa e ela pode colocar na boca algum alimento envenenado.”
A aposentada Vanda de Oliveira, 60, mora na rua Emílio Malimpensa e para proteger seu cachorro não o solta mais na rua. No domingo, 1º, ela estava em casa pela manhã quando ouviu um barulho no portão. Ao abri-lo se deparou com um gato morto. “Ele tinha acabado de morrer. Saiu um líquido fedido do corpo dele que impregnou no chão. Tirei o gato daqui e depois lavei com água sanitária. É muito triste ver isso tudo. Se não quer animal, não precisa maltratar.”
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