Mais emprego em Franca


| Tempo de leitura: 2 min

Novamente Franca se destaca no cenário nacional como uma das campeãs na geração de emprego. Nos primeiros cinco meses desse ano nossa cidade ficou entre as 10 que mais contrataram no país, mais especificamente em 8º lugar, perdendo apenas para algumas grandes capitais.

Essa notícia, obviamente, é bastante promissora para toda a população. Com mais empregos formais a roda da economia gira com mais força e eficiência, com salários, mercadorias, serviços e impostos circulando mais rapidamente e contribuindo para o crescimento da cidade e região.

O setor que mais empregou foi o de transformação, com cerca de oito mil novas contratações. Se somarmos esses números aos resultados promissores da Francal, que se encerrou na semana passada, aos incentivos governamentais que já estão em vigor e a outros que ainda virão, prometidos pelo governo federal para impulsionar ainda mais a nossa indústria, é possível acreditar que o cenário mais sombrio que andou rondando nossa principal indústria nesses últimos anos agora está se transformando em céu de brigadeiro, um sinal de que os ‘voos’ serão mais tranquilos para os nossos empresários daqui para frente.

No entanto, sem querer colocar um toque de pessimismo nesse momento mais confiante de nossa economia, é preciso considerar as questões estruturais de nossas indústrias e do setor calçadista como um todo, pois todos esses dados mais otimistas são bastante conjunturais. Em outras palavras, o número de contratações na indústria calçadista costuma se expandir e se retrair de forma bastante sazonal e regular, formando um efeito sanfona que já é bastante conhecido em nossa cidade. E por ser conjuntural, esse momento positivo pode ser revertido rapidamente quando houver alguma mudança mais brusca na economia global, já que a lição de casa, ou seja, as reformas necessárias em nossa estrutura e nossa mentalidade empresarial, ainda não foram totalmente completadas na maioria de nossas indústrias. Em muitas delas, inclusive, não foram nem iniciadas.

Escorar-se demasiadamente nos incentivos governamentais, por exemplo, pode ser muito perigoso em uma economia globalizada que pressiona cada vez mais pela implantação do livre mercado. A tendência é que eles sejam passageiros e não se eternizem para sempre.

Nesse sentido, nossos empresários deveriam aproveitar esse momento de crescimento e otimismo com muita precisão e inteligência. Deveriam acelerar as mudanças estruturais em seus negócios, inovar e repensar estrategicamente sua forma de agir e se preparar para o futuro próximo, quando esses efeitos conjunturais estiverem perdendo sua força ou até mesmo invertendo sua tendência.

Se continuarmos apenas na dependência da conjuntura, teremos sempre a sazonalidade e o efeito sanfona como companheiros de jornada. Uma hora, é a que mais emprega; outra, a que mais demite. E assim demoraremos mais para sair do lugar.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários