“Corinthians, campeão da Libertadores”. Com este grito, o sapateiro João Paulo Nicolau, 31, espera realizar um sonho. Ver seu time do coração levantar a taça da Libertadores da América é algo nunca vivido por ele e seus amigos da Fiel Franca, filial da organizada do Timão na cidade. Por isso, ele não teve dúvidas quando deixou claro ao patrão que não iria trabalhar na manhã de quinta-feira. “(O patrão) Concordou não. Falei que (o time) nunca chegou neste lugar. Por isso, eu tenho de comemorar”, afirmou ele. Sua atitude surpreendeu os próprios amigos e familiares. A fim de pagar a manhã de quinta, o rapaz trabalhou cinco horas a mais na última sexta.
O sentimento é de alívio. Poderá comemorar a vontade. “É um sonho (ganhar a Libertadores). A gozação é grande, a zoeira (dos torcedores dos outros times) é muita. A gente sofre demais. Mas falta apenas 90 minutos. Só falta isso. Ganhou, acabou”, contou. E João Paulo já encontrou uma forma de devolver os anos de martírio e humilhações. Para deleite dos corintianos, uma vitória simples significa além do fim de um tormento a possibilidade de devolver as gozações lembrando que o Timão foi campeão invicto.
Se será difícil? João Paulo é testemunha de que um corintiano é forjado no sofrimento. “Virei corintiano com Tupãzinho no título do Brasileiro de 1990 sobre o São Paulo. Meu pai me forçava a ser santista, mas não deu. Aquele gol mais que chorado me fez torcer pelo Timão pro resto de minha vida”, afirmou.
Hoje, João Paulo assistirá ao jogo com a mulher, a filha em uma casa de lanches no Jardim Aeroporto. “Depois vamos para a Av. Champagnat com bandeira aberta no carro e tudo”. Trabalho? Só após o almoço da quinta. Se Deus quiser.
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