HC de Ribeirão já dispensou 76 francanos obesos desde 2011


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Saulo de Tarso Almeida, que fez redução de estômago em 2010 e perdeu 55 kg
Saulo de Tarso Almeida, que fez redução de estômago em 2010 e perdeu 55 kg

O Hospital das Clínicas de Ribeirão (HC-RP) dispensou, desde 2011, 76 dos 79 pacientes de Franca com obesidade mórbida que tinham sido encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde para realizar a cirurgia de redução de estômago, chamada de bariátrica. Ou seja, só três francanos foram submetidos ao procedimento naquele hospital.

Os dados são da secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini Alonso. O hospital de Ribeirão é o único que realiza esse tipo de procedimento pelo SUS na região. A alegação do HC para o excesso de dispensas é de que houve uma redução drástica do número de cirurgias em 2011 e neste ano a questão ainda não foi normalizada. Atualmente, 900 pessoas aguardam na fila de espera do hospital e dessas apenas 19 são de Franca.

Segundo o diretor técnico do Centro de Cirurgia Bariátrica do HC, Reginaldo Ceneviva, os pacientes encaminhados passam por uma triagem que vai identificar quem pode e quem não pode ser operado. Após a triagem, os pacientes passam por um tratamento mais conservador no Setor de Nutrologia, que dura aproximadamente seis meses e, geralmente, exige que o paciente perca 10% de seu peso de forma natural. Após esse tratamento, um grupo de 40 pessoas é selecionado para fazer a cirurgia. “Nossa próxima seleção está agendada para daqui a seis meses. Fazemos pouco mais de 80 cirurgias por ano e a demanda só aumenta”, disse Ceneviva.

O médico explicou ainda, que devido a problemas de falta de anestesistas (eles fizeram uma greve no ano passado) e outras complicações, como feriados e datas comemorativas, a capacidade de atendimento ficou reduzida nos últimos meses. “Somos em três cirurgiões e realizamos duas cirurgias de redução, por semana.”

Com a restrição do SUS, resta aos obesos tentar a cirurgia por convênio, desde que atendam aos requisitos do plano, ou pagando todas as despesas como particular. Em Franca, pacientes com plano de saúde podem fazer o procedimento no Hospital São Joaquim ou no Regional.

“Enquanto esperava passar a carência exigida pelo convênio, eu fiz a triagem e a bateria de exames pré-operatórios”, disse o consultor jurídico Saulo de Tarso Almeida, que passou por uma redução de estômago em 2010, quanto tinha 29 anos.

Saulo pesava 140 kg e só pode fazer a cirurgia por ter um IMC (Índice de Massa Corporal) entre 35 e 40 e possuir doenças relacionadas, como hipertensão arterial ou diabetes. Ele explicou algumas dificuldades enfrentadas logo nos primeiros meses após a cirurgia. “As pessoas devem encarar de frente as primeiras dificuldades do tratamento, pois são complicadas mesmo. Nos primeiros meses após a operação, você ainda sofre com os problemas de ser obeso e com a adaptação à nova vida, que envolve comer menos e praticar exercícios físicos com regularidade. Quem não está com o psicológico bem resolvido, sofre demais”, disse.

Saulo, que tem um 1,70 m, emagreceu 55 kg e contou que sua vida mudou completamente. “Sempre fui gordinho, desde criança. Por isso, sei bem o quanto uma pessoa obesa sofre com catracas de ônibus, poltronas de cinema e avião. Sem falar no preconceito por ser gordo. Você tem que conviver com as restrições físicas e sociais”, explicou.

Apesar de admitir que o tratamento provoca mudanças extremas, ele recomenda a operação. “Agora só falta fazer a abdominoplastia [cirurgia plástica que remove o excesso de pele causado pela grande perda peso] e estarei pronto.”

Apesar de ser uma cirurgia comum em pacientes que realizaram a redução, a abdominoplastia é considerada pela maioria dos planos de saúde como uma cirurgia estética e, portanto, não recebe cobertura. Em uma clínica particular, o paciente deve estar preparado para desembolsar aproximadamente R$ 8 mil entre consultas, exames e a operação.

Um em cada sete brasileiros é obeso
Considerada por muitos como a principal doença do século, a obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no corpo e está ligada a inúmeros problemas de saúde. De acordo com um pesquisa feita pelo IBGE, entre 1989 e 2009, o sobrepeso entre os adultos brasileiros aumentou de 35,7% para 49%. Já a obesidade adulta cresceu de 9,3% para 14,7%. Na prática, isso significa que um em cada sete brasileiros é obeso.

Segundo a SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabolismo), as cirurgias bariátricas aumentaram de 16 mil em 2003 para 60 mil em 2010.
 

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