Espiritismo e TV


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Perguntou-nos uma amiga leitora se as cenas vividas pelas personagens Mãe Iara e Joselito, na novela Aquele Beijo, mostram o que realmente é mediunidade segundo o Espiritismo. Conforme já dissemos em outras oportunidades, a faculdade mediúnica é lei da Natureza e sempre existiu, não sendo, necessariamente, espírita. Evidentemente, o autor, procurando expor sua mensagem conforme os interesses do enredo que criou, tenta, por meio da arte de representar, evidenciar situação que possa impressionar os sentidos, não logrando, todavia, exceder os seus próprios conhecimentos. Além disso, é comum autores, mais atentos aos clamores do preconceito do que da realidade da Natureza, chegarem às raias do ridículo, por não conciliar a sua criação com a verdadeira obra do Criador, equivocando-se quando situam na pauta do Espiritismo fenômenos mediúnicos que não são espíritas.

Vê-se, porquanto, que, no caso dos personagens citados, o que vivem é fenômeno mediúnico, não, necessariamente, fenômeno espírita, que deve, sobretudo, visar ao bem, à orientação cristamente espiritual, e nunca à solução de problemas materiais. Também, na fenomenologia mediúnica genuinamente espírita, não se observa qualquer ritual, não se utilizam velas, adereços, cartas, bola de cristal ou qualquer objeto indutor de transe, tanto quanto não se exige qualquer remuneração. Considere-se mais, que a prática mediúnica verdadeiramente espírita busca orientar as pessoas quanto à necessidade de autoburilamento moral, mudando-lhe a forma de pensar, sentir e agir. Todo o esforço do indivíduo será nulo, se não se dispuser às mudanças íntimas, sem as quais não se qualificará moralmente para sintonizar-se com os benfeitores espirituais, todos submissos à implacável lei de afinidade.

Recomenda-se o estudo de O Livro dos Médiuns, segunda obra da Codificação Kardeciana, específica e segura para o intercâmbio com os espíritos. Pelo conhecimento, prevenimo-nos contra os riscos de se estabelecerem comunicações indesejáveis com as entidades perversas. Como ainda somos um planeta de expiação e provas, onde o mal ainda prevalece, os espíritos que se simpatizam conosco nem sempre são bons e, quando entramos em contato com eles, sem conhecer as leis que governam o respectivo fenômeno, invariavelmente, somos defrontados por aqueles que aproveitam da nossa ignorância.

É também preciso que saibamos que os espíritos que ainda habitam os nossos espaços não dominam todo conhecimento, toda sabedoria, visto que se submetem ao mesmo regime evolutivo dos que ainda se encontram no plano material, não nos sendo prudente acreditar em tudo que dizem. O Evangelista João nos alertara: “É preciso verificar, primeiro, se são de Deus”. Portanto, ao admitirmos qualquer orientação espiritual, verifiquemos se são racionais, se buscam o bem comum, se estão de acordo com os ensinamentos do Cristo. E, ao assistirmos às novelas da TV, façamo-lo com espírito suficientemente crítico para separarmos a verdade da fantasia.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca 

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