Em 10 anos, a supremacia católica em Franca caiu de 70% para 63% da população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Dados do Censo divulgados ontem apontam uma ligeira queda no número de católicos francanos e um aumento de quase 50% entre os evangélicos de 2000 para 2010. Neste período a população da cidade cresceu 11% e passou de 287 mil para 318 mil habitantes. A pesquisa mostra ainda uma evolução na quantidade de espíritas e dos sem religião.
O número de francanos que se declaram evangélicos passou de 43,6 mil em 2000 para 63,9 mil em 2010. Hoje eles representam 20% da população da cidade. Seguidores da Igreja Católica, mesmo com leve queda, somam 201 mil habitantes - contra 203 mil - e se mantêm como maioria.
Para a Diocese, a pequena variação negativa no número de seus fiéis mostra que o trabalho de evangelização está sendo cumprido. “Estamos no nosso objetivo de evangelizar e a Igreja Católica não tem como objetivo aumentar esse número avassaladoramente, nós queremos cumprir nossa missão. Mas é um momento de reflexão, para pensarmos”, disse o chanceler do bispado da Diocese de Franca, padre Célio Adriano Cintra.
O censo demográfico revela que entre os evangélicos, o grupo que mais cresce é o dos pentecostais, que inclui as igrejas Evangelho Quadrangular e Assembleia de Deus, sendo essa última a que possui mais seguidores entre os protestantes. Em dez anos passou de 12,2 mil fiéis para 18,2 mil, um acréscimo de 49%. Segundo o presidente da Igreja Assembleia de Deus do Ministério da Missão, pastor Edson de Oliveira, o aumento dos evangélicos segue o ritmo das igrejas que são construídas. “Temos feito trabalho de casa em casa e um objetivo nosso é colocar uma igreja em cada bairro, para nos aproximar das comunidades. Quando sai um loteamento novo, já realizamos a compra de um terreno para no futuro construir uma igreja no local.”
Por outro lado, a Igreja Universal do Reino de Deus perdeu 20,7% de seus seguidores em Franca. De acordo com o pastor da Assembleia de Deus, Isaac Ribeiro, responsável pela igreja do Brasilândia I, esta diminuição da Universal está ligada à “explosão” de outra igreja, a Mundial. “A Universal constrói poucos templos, mas grandes em tamanho, não cria um vínculo como nós e acaba perdendo parte do rebanho. E a Mundial foi criada com dissidentes da Universal por um bispo que saiu de lá.”
Os francanos que se denominam espíritas cresceram 12,4%, passando de 20,2 mil para 22,7 mil pessoas. Segundo o diretor de departamento de doutrina da USE (União das Sociedades Espíritas) de Franca, Adolfo de Mendonça Júnior, este número pode ser maior. “Muitas pessoas dizem que são católicas, mas que acreditam na vida após a morte. Então, na verdade, para nós esse número de espíritas é muito maior, mas claro que respeitamos os dados do IBGE, que são os oficiais. Inclusive, o teólogo Jeferson Betarello, de São Paulo, em um capítulo de seu mestrado, aponta Franca como uma referência no movimento espírita do Brasil.”
Já o número de moradores em Franca que se declaram sem religião cresceu 24,1%. Em 2000 eram 14,1 mil e em 2010, 17,6 mil.
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