Pontes, sim! Muros, não!


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Quando estudei Educação Moral e Cívica, na sexta série do Colégio Estadual São Gabriel em Cássia, com a excelente professora Rita Zechin, pude aprender que “o homem é um animal, porém racional e social”. Sem dúvida, fomos concebidos pelo Criador para vivermos em grupo, inicialmente em bandos desorganizados, hoje em sociedades politicamente organizadas. Necessitamos, para a nossa sobrevivência, principalmente emocional, construir sólidos relacionamentos. É fato que na atualidade o ato de se relacionar ganhou uma nova roupagem: “interagir”. Para tal dispomos atualmente das chamadas “redes sociais” da internet, algumas nem sempre usadas adequadamente.

Assim, é fundamental em nossa vida, principalmente para nos mantermos equilibrados, priorizarmos a edificação de pontes, em vez de muros nas nossas relações pessoais e profissionais. Devemos aprender a nos relacionar melhor com todos, indistintamente. Seja no lar, na escola, na igreja, no trabalho, no lazer, pois efetivamente não fomos concebidos para o isolamento. O poeta inglês John Donne (1572/1631), cunhou com bastante propriedade uma frase que é sempre atual e que ilustra bem o tema de hoje: “Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio, cada ser humano é uma parte de um todo”.

Segundo especialistas em psicologia: “O ser humano que não constrói relacionamentos profundos e duradouros com seus semelhantes é, no mínimo, um desequilibrado”. Por outro lado, o isolamento é causa palpável de depressão. Os assassinos em série, segundo os especialistas, têm um traço característico comum: não conseguem se relacionar. O personagem Robinson Crusoé, do famoso romancista e jornalista inglês Daniel Defoe (1660/1731), só reuniu forças para vencer todas as adversidades e evitar a loucura, quando isolado em uma ilha passou a interagir com um nativo ao qual ele deu o nome de “Sexta Feira”.

Em 2001, o ator Tom Hanks estrelou o excelente filme O Náufrago. O personagem era um dedicado inspetor da FedEx que sofre um acidente aéreo. Apenas ele se salva e acaba refugiando-se em uma ilha deserta onde permanece isolado, lutando pela sobrevivência, durante quatro anos, até ser resgatado. Durante o período em que esteve na ilha ele interage apenas com uma bola de vôlei que ele apelidou de “Wilson”: um amigo imaginário. O interessante é que ele só conseguiu sobreviver física e emocionalmente graças a esse relacionamento fictício com o “amigo e companheiro Wilson”. É tocante, ao final do filme, ele colocar a sua própria vida em risco para tentar salvar “Wilson”, a bola de vôlei, das ondas do mar.

Evidente que todos temos a consciência da importância de se ter amigos fraternos com os quais podemos dividir as nossas alegrias e também as nossas tristezas e frustrações. A vida compartilhada com amigos leais torna-se mais amena e prazerosa.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca 

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