Acesso a internet


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Durante boa parte do século passado, muito se ouviu sobre inclusão e exclusão, um discurso que se intensificou nas últimas décadas. Mas isso era de se esperar. Com um histórico geral de exclusão, que prevaleceu em praticamente toda a nossa história, passamos esse período lutando para reverter essa tendência. A palavra inclusão tornou-se preponderante nos discursos políticos e sociais e a prática começou a concorrer para incluir as camadas mais pobres da população brasileira em uma condição de vida que lhes trouxesse um mínimo de dignidade.

Inclusão tornou-se palavra de ordem. Inclusão de todas as crianças na escola. Inclusão de todas as pessoas no âmbito da saúde. Inclusão dos deficientes no mundo do trabalho e da escola e inclusão de todas as classes sociais na esfera do consumo. Mais recentemente, começamos a falar em exclusão digital, pois sem os conhecimentos mínimos de informática dificilmente alguém consegue desenvolver-se profissionalmente.

Obviamente, não avançamos 100% em todas as frentes. Se conseguimos colocar todas as crianças na escola, por exemplo, ainda não conseguimos formá-las com a qualidade exigida pelo mercado, o que dá certa vantagem àqueles que conseguem pagar por sua educação. O mesmo se pode dizer em relação à saúde.

No que diz respeito à informática, também é possível dizer que avançamos bastante. Porém, a julgar pelos números apresentados pelo estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), divulgados pelo Comércio na última quinta-feira, 21/06, essa inclusão ainda está um pouco distante de nossa realidade.

De acordo com os números apresentados, somente 40% de nossos domicílios têm acesso à internet, o que confere à cidade a última posição em uma lista com 17 municípios com mais de 200 mil habitantes.

E reverter esse cenário não parece uma tarefa tão simples. As causas desse desempenho ruim estão relacionadas principalmente à baixa renda de nossa população, o que permite estabelecer uma relação direta com o baixo nível educacional que perpassa boa parte da sociedade francana. Essa situação nos leva a um círculo vicioso. Com menos dinheiro o francano investe menos em sua própria educação. Como investe menos, não consegue desenvolver toda a sua potencialidade e acaba limitando o próprio crescimento e diversificação de nossa economia, já que uma mão de obra com baixa escolaridade restringe-se apenas à indústria de baixo valor agregado, que se utiliza de mão de obra intensiva e que por isso costuma pagar salários mais baixos.

Nesse sentido, é preciso que empresários e autoridades locais compreendam a necessidade de se expandir o nível educacional de nossa população, pois será por meio dessa melhor formação humana que conseguiremos melhores resultados na economia e, consequentemente, em outras esferas da vida social. Inclusive na inclusão digital, pois para utilizar a internet com inteligência e mais propriedade também é preciso uma maior educação normatizada
 

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