A demora na liberação de um corpo, provocada pela burocracia, aumentou o sofrimento de uma família inteira, que esperou aproximadamente 13 horas para poder velar o corpo da dona de casa aposentada Abadia da Cunha Borges, 85, que morreu na noite de segunda-feira vítima de uma parada cardiorrespiratória.
A dona de casa deu entrada no Hospital São Joaquim, em decorrência de um mal súbito e foi prontamente atendida pela equipe médica. Após todas as tentativas de reanimação, a morte foi confirmada pelo chefe do plantão da instituição, Dr. Marco Antonio Benedetti Filho. “Fizemos a massagem cardíaca, usamos o desfibrilador, mas às 20h35 se chegou à conclusão de que ela não iria voltar”, disse o médico.
Após a constatação da morte, o hospital não emitiu o Atestado de Óbito. Em vez disso, contatou os agentes da Polícia Civil que chegaram ao hospital às 00h28, quase cinco horas depois do horário da morte informado no Boletim de Ocorrência (BO), como sendo às 19h40, e não às 20h35 como relatou o hospital São Joaquim.
Após o registro do BO, a funerária Nova Franca, transportou o corpo da aposentada para o SVO (Serviço de Verificação de Óbitos), órgão público municipal para onde são encaminhadas vítimas de morte natural. O corpo foi recolhido às 4 horas da manhã, mas foi preciso esperar a chegada dos médicos legistas para formular o atestado de morte, fundamental para a realização do enterro.
A liberação aconteceu apenas na manhã de terça-feira, quando enfim, a família pôde prestar as últimas homenagens à aposentada no velório São Vicente de Paulo, das 9h30 às 16 horas. O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade, na presença de amigos e familiares, que ficaram indignados com tamanha demora.
Para Itamar José Borges, filho caçula da aposentada, o caso poderia ter sido resolvido mais facilmente se não houvesse tanta burocracia. “Parece que a demora foi por causa do legista que só iria liberar (o corpo) às 7 horas, o que já é um absurdo. É o puro descaso, pois o que é uma assinatura de um legista, em uma situação como essa?”, disse emocionado, ao final do sepultamento.
Segundo as funerárias, antes de existir o SVO em Franca, o processo de liberação de corpos era mais rápido. O funcionário de uma funerária da cidade disse que antigamente o corpo levava seis horas para ser liberado, pois os médicos legistas atuavam durante todo o dia e, por vezes, faziam o atestado médico na própria funerária. Hoje com um horário de funcionamento das 6 às 22 horas, o SVO transfere a emissão de atestados de óbitos ocorridos durante o fim de noite até as primeiras horas do dia, quando chegam os médicos legistas.
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