As micro e pequenas empresas da região de Franca sobrevivem por mais tempo no mercado que a média do Estado de São Paulo, é o que aponta pesquisa divulgada pelo Sebrae Franca. De acordo com o estudo elaborado pela entidade, o índice de sobrevivência das empresas na região é de 84%, enquanto que no resto do Estado esse índice corresponde a 77%.
Foram levadas em consideração as micro e pequenas empresas que se mantiveram abertas até dois anos após seu registro no CNPJ. Com base em dados da Receita Federal, a pesquisa relacionou o número de empresas consideradas ativas nos anos de 2005 e 2006 que entregaram a declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica nos dois anos seguintes. Ao todo, 19 cidades da região foram analisadas.
De acordo com a gerente regional do Sebrae, Iroá Nogueira Lima, os números refletem o equilíbrio da atividade empresarial nos setores da indústria, comércio e serviços. “No ano-base 2005 o que elevou essa média de sobrevivência foi o comércio; já em 2006, a indústria elevou esse índice. Isso mostra que a economia está equilibrada, e não está dependendo de um único setor”, disse.
Outro fator apontado para explicar o sucesso das micro e pequenas empresas em Franca e região é a preocupação do empreendedor em buscar capacitação adequada antes de abrir um negócio. “A gente vem vendo o perfil do empreendedor, que passa a ser uma pessoa que busca mais informação. Ao ver uma oportunidade de negócio no mercado, ele investe mais do que uma necessidade simples e pura de levantar recursos financeiros”, afirmou Iroá.
Para o economista Hélio Braga Filho, o momento em que a economia brasileira se encontra é favorável para essa situação. “O fato é que, à exceção de duas crises, a de 2008 e a atual, tivemos um período relativamente bom para a economia brasileira como um todo. Independente de taxas de crescimento elevadas, o momento foi propício para a economia do país, e, consequentemente, as empresas foram à reboque da conjuntura.”
Braga Filho também concorda que a capacitação desses novos empreendedores é vital para que os negócios tenham sucesso. “A incerteza e a instabilidade são coisas muito mais constantes do que foram em outras épocas. Há uma série de fatores que devem ter despertado nesses novos empreendedores a busca de uma capacitação para poder gerir melhor essas empresas”, disse.
O aparato técnico institucional que Franca oferece é outro ponto positivo. “O Sebrae, o Senai, a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) e as próprias universidades podem aprimorar os novos empresários que estão buscando maior capacitação. Se eles apenas forem bons conhecedores do ramo e não tiverem noção de gestão, eles acabam não sobrevivendo”, concluiu o economista.
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