Lula, Erundina e Maluf


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Partidos políticos deveriam carregar um determinado ideário programático em suas ações. Pelo menos, nasceram para isso. Historicamente, representam idéias e anseios de diferentes grupos de uma mesma população. De forma representativa, abrem espaço para o debate e para a negociação, o que é fundamental em um regime democrático.

No Brasil atual, no entanto, talvez não seja exagero afirmar que os partidos estão bem longe dessa constituição ideal. Ao contrário, conformam um sistema político-partidário que parece cada vez mais esgotado e corrompido, com agremiações que se transformam em simples fachadas político-ideológicas, escondendo por trás de suas cores apenas os interesses privados de seus mais variados ‘caciques’.

A recente crise aberta na candidatura do PT à Prefeitura de São Paulo parece ser um bom exemplo dessa situação. Quatro dias depois de anunciada como vice de Haddad, Luiza Erundina resolveu recuar. O motivo teria sido o pacto firmado entre o ‘PT, de Lula’, e o ‘PP de Paulo Maluf.’

Aparentemente, essa é uma razão bastante compreensível. PT e Maluf nunca combinaram. A despeito das constantes e repetidas acusações mútuas, sempre ácidas e bastante contundentes, suas propostas políticas nunca foram conciliáveis do ponto de vista ideológico. E a julgar pelos discursos de ambos os partidos, elas continuariam assim até hoje.

Nesse sentido, não é difícil imaginar que haja outros interesses por trás desse apoio. E interesses recíprocos, diga-se de passagem, porque não existe almoço grátis nesse mundo dos negócios e da política. O PT de olho nos preciosos minutos que o partido de Maluf lhe trará durante o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. O PP de olho nos cargos que naturalmente lhe cairão sobre o colo, permitindo a colocação de correligionários e apadrinhados em alguns cargos públicos, a despeito de sua competência ou do interesse de toda a sociedade.

Nesse episódio, porém, a reação de Erundina também não parece ter se pautado pelos ideais programáticos da coligação. O que parece tê-la demovido de sua candidatura, segundo fontes internas da coligação, não foi o apoio de Maluf, em si mesmo, já que ela já tinha conhecimento desse acordo no dia em que foi anunciada como vice, mas sim a foto que Lula, Haddad e Maluf tiraram no jardim da casa desse último.

De qualquer forma, para nós francanos essa pode ser uma excelente oportunidade para refletir sobre as coligações locais, já que estamos chegando ao prazo limite para que todos os candidatos ‘costurem’ seus times para as próximas eleições.

Para além dos personalismos políticos e dos interesses particulares de cada um, deveríamos dar mais atenção às idéias e aos posicionamentos de cada uma das coligações que aqui se formarem, buscando sempre o fortalecimento dos partidos.
 

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