Sabe aquelas coisas que todo mundo sabe que existe ou que estão acontecendo mas ninguém sabe exatamente por quê? Por exemplo. Para que serve um atendente do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) de qualquer empresa? Na teoria eles teriam que solucionar problemas, mas não é bem isso que acontece.
Outro belíssimo exemplo é o manual de instruções de qualquer produto. Na teoria, eles estão lá para guiar os pobres mortais pelo duro caminho que é aprender a manusear qualquer coisa. Na prática, ninguém nem sem importa em abrir o dito cujo e aprende a mexer na base do “erra e acerta”.
Enfim, estas coisas existem. E uma delas aconteceu no Rio de Janeiro, começou no dia 13 deste mês e terminou na última sexta-feira, mas quase ninguém sabe exatamente o que se passou por lá. Estamos falando da Rio+20. E para tirar esta nebulosa nuvem de dúvida da sua mente, o Se Liga resolveu lhe explicar tudo sobre este evento, reunião, coisa, enfim, você entendeu.
Para começar, a Rio+20 é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Traduzindo, é uma reunião da ONU (Organização das Nações Unidas) com mais de 190 nações para discutir como o planeta poderá crescer economicamente, acabar com a pobreza e preservar o meio ambiente de uma maneira efetiva. Tudo isso ao mesmo tempo, já que estas questões não estão melhorando com o passar dos anos. O nome remete aos 20 anos da Rio92 ou ECO92, evento semelhante que aconteceu no século passado.
Dois temas centrais foram definidos, para dar alguma ordem ao caldeirão de discussões que invadiu o Rio de Janeiro. A Economia Verde, que visava encontrar um novo modelo de produção que não prejudique a natureza, e a Governança Internacional, que devia indicar estruturas para alcançar este futuro tão sonhado. Através destes temas e das discussões entre os especialistas, líderes de governo e membros de ONGs, foi escrito um documento que será entregue às lideranças dos países, contendo metas que precisam ser atingidas, para que o mudo vire um lugar melhor.
Isso é a teoria. Na prática, a história foi outra. Chefes de estado dos mais diversos países aproveitaram o palanque para criticar. A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e o chefe do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por exemplo, fizeram um discurso duro. Em suma, deram a entender que a culpa da crise econômica que assola a Europa é dos países ricos, que as potências são as principais causadoras de grande parte dos problemas do mundo e por aí vai. Em suma, o evento voltado para a discussão de problemas ambientais graves serviu, em alguns momentos, para políticos fazerem politicagem.
Voltando ao meio ambiente. Quando o documento, fruto das discussões da Rio+20, foi entregue, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou o texto, afirmando que ele era muito pouco ambicioso.
Depois de muita pressão, Ki-moon voltou atrás e declarou que o tal texto, batizado de O Futuro que Queremos, responde as questões mais emergenciais e está de bom tamanho. Este documento está pronto e os países o usarão como guia para adequar sua economia à necessidade de cuidar do planeta.
RESULTADOS IMPORTANTES?
No final de toda essa balbúrdia ecologicamente correta, o documento está pronto. Confira seus principais pontos.
O texto O Futuro que Queremos começa reafirmando os princípios adotados em outras conferências deste porte, como a de Estocolmo, em 1972, e na própria Rio92, inclusive o de “responsabilidade comuns, porém diferenciadas”. Esse ponto define que os países ricos têm maior responsabilidade sobre os impactos ambientais. Os líderes destas nações não concordam com isso, afirmando que países como Brasil, China e Índia também são responsáveis por grandes emissões de poluentes, mas não adiantou e este trecho ficou intacto.
Era esperado que este documento criasse objetivos de desenvolvimento sustentável. Era esperado, pois o texto deixa estas metas para depois. Foi decidido que elas, as metas, seriam criadas na próxima assembleia geral da ONU, em setembro.
Um dos poucos pontos positivos apontados por especialistas foi o fortalecimento do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Mas como nada é perfeito, os detalhes de como isso será feito só serão revelados na próxima assembleia geral.
Outro ponto positivo foi com relação à poluição marinha. Os líderes se comprometeram a criar um plano de conservação de espécies em alto mar. Porém, isso não será feito agora, por conta da crise econômica.
Questões sociais também foram incluídas no documento. Os negociadores reafirmaram a necessidade de atingir metas de redução de pobreza e a importância da segurança alimentar, especialmente nos países africanos. Só que um dos pontos mais criticados foi com relação ao direito das mulheres. Por pressão do Vaticano e do G77, grupo dos países em desenvolvimento, o texto final não inclui o trecho que defendia o direito reprodutivo das mulheres.
E por fim o tão comentado fundo de financiamento para o desenvolvimento sustentável. O G77 queria que os países mais ricos se comprometessem a garantir US$ 30 bilhões para o financiamento de “projetos verdes”. Esse valor não foi aprovado, já que a União Europeia vive um período de crise. No final, o texto definiu a criação de um processo intergovernamental que vai decidir qual a quantia necessária para o desenvolvimento sustentável e quais são os países com poder para contribuir com tal quantia.
Foram 11 dias de intensas discussões entre membros de ONGs, tribos indígenas e chefes de estado. Você acha que valeu a pena o investimento?
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