Num prazeroso esforço para atender solicitação de nossa estimada confreira Rosinha Aylon, voltamos, neste espaço, ao assunto casamento, buscando nas questões 695 a 697 de O Livros dos Espíritos, de Allan Kardec, referências sobre o que, realmente, são o casamento e suas graves implicações. Começamos por saber que a união conjugal representa progresso na marcha da Humanidade e que, se um dia fosse admitida, a abolição do sagrado instituto do casamento seria a volta do homem às cavernas, ou, comparativamente, à vida animal.
Todavia, disseram os espíritos, há mais de 150 anos, que a indissolubilidade absoluta da união matrimonial é uma lei dos homens, o que nos leva a observar o que atualmente ocorre no seio da Humanidade relativamente ao materialismo que, equivocadamente, assestou suas baterias contra o casamento e, por via da consequência, contra a família. E o que vemos? Um espetáculo animalesco, no qual se transformaram o que seriam relações amorosas em físicas, sem responsabilidade, sem compromisso moral, sem sentimento afetivo.
Também nos garante a fidedigna fonte pesquisada que, geralmente, as uniões na face planetária são programadas ainda no mundo espiritual, excetuando-se aquelas que advêm de encontros fortuitos, casuais, nas quais a programação ocorre a partir de então. Os matrimônios hão de ter como compromisso moral o desenvolvimento do sentimento do amor, a troca de fluidos entre os cônjuges e a perpetuação da espécie. Por isso, quando contrariamos estes objetivos, comprometemo-nos perante as Leis Divinas, que se acham inscritas em nossa própria consciência.
Admitem-se casos em que, segundo o grau de comprometimento moral com que, no casamento, estamos vinculados um ao outro, podemos apelar para o divórcio. É quando a união se torne insustentável, com risco de um mal maior. Tal expediente, todavia, será sempre um adiamento de compromissos, correndo por nossa conta e risco as consequências que da decisão advierem. Com efeito, o Espiritismo não estimula o divórcio, mas admite a dissolução da sociedade conjugal, visto que, obviamente, existem uniões moralmente constituídas e aquelas outras, nas quais a moralidade não está presente, tanto quanto não está presente o amor.
Lembremos que temos: casamentos expiatórios: nos quais ambos os cônjuges estão comprometidos e devem suportar-se. São a maioria; casamentos probatórios: aqueles nos quais um cônjuge é o grande devedor, assumindo, portanto, maior quota de sacrifícios; casamentos de almas afins: ostentam intensa afinidade entre os cônjuges, imperando o amor, o companheirismo, a lealdade, inobstante algumas divergências; casamentos contraídos por força da atração física ou interesses materiais. Nestes, cessados os interesses, a união se desfaz e cada um segue nem sempre segundo lhe apraz. Nunca nos esqueçamos que o começo da vida pública de Jesus deu-se, justamente num casamento, “As Bodas de Caná”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Idefran (Instituto de Divulgação Espírita de Franca)
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