Matei um pombo


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Vinha dirigindo pela avenida atrasada, como sempre, mas devagar porque não ia adiantar correr mesmo. A rua estava tranqüila, ainda bocejando, antes de receber o fluxo intenso de carro.

Foi num átimo! Do nada, surgiu um pombo e violentamente se chocou contra o pára-choque do carro.

Que estrondo! Que susto! Que dor!

Por que não alçou vôo? Por que escolheu aquele momento para entrar na avenida? Por que não continuou com os seus pares arrulhando sossegadamente? De que lhe serviram as asas?

O efeito em mim foi avassalador. As mãos tremiam, não conseguia segurar o volante. Não olhei para trás.

Causando desconforto, a idéia da fragilidade da vida atormentou-me durante o dia todo. Se é assim tão efêmera, por que passamos tanto tempo desperdiçando-a?

Não estamos no controle. A qualquer momento, como num sopro, ela nos escapa da mão.

Pobre pombo! Pobre de nós tão mortais!
 

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