Leve e solta eu seguia naquela manhã por uma rua calma, a carregar uma sacolinha de plástico e dentro dela alguns pertences: o celular, a carteira com algum dinheiro, um caderno de anotações, um rolo de fita crepe e duas canetas.
Num repente, surge aquele homem que até me pareceu ser do bem; calmo, a caminhar em minha direção. Pensei até que viesse me pedir alguma informação, como o nome da rua ou coisa parecida. Mas, mero engano; o homem se aproxima e num puxão, plaft! Carrega a sacolinha que também leve e solta balançava de lá pra cá.
- Bandido, safado, volta aqui, devolve o que é meu, bandido, ordinário, como se ele desse ouvidos ao meu chamado.
E o homem correndo mais que o vento desapareceu como fumaça.
Um casal apareceu e prestativo ligou para o 190. A viatura, como num passe de mágica surge com dois policiais, prontos a servir, mas o que não apareceu mesmo, foi o malandro, o safado.
Ansiosa, fui dando todas as informações, mas em nenhum momento soube explicar se o homem era alto ou baixo, preto ou branco, gordo ou magro, sei lá.
A rua, antes tranquila, foi ficando animada com o aparecimento de curiosos e até dois sobrinhos que por acaso ali passavam reconheceram de longe aquela que falava e gesticulava em meio aos policiais.
- Olha, olha lá, mas aquela é a tia Farisa que deve ter batido o carro ou atropelado alguém; coitada, vamos lá.
E os dois até fizeram a ronda pelas bandas, mais parecendo mocinhos à caça de bandidos.
Para que a confusão não se tornasse mais confusa, achei por bem voltar para casa, ainda caminhando contra o vento e de mãos vazias, a lamentar:
- Que raiva, que sac...
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